Escassez de baristas e funcionários: como as cafeterias podem gerenciar com eficácia
Cafés movimentados prosperam quando uma equipe de baristas bem coordenada e proativa está trabalhando atrás do balcão. Com um fluxo de trabalho simplificado e excelente comunicação, os baristas podem enfrentar até mesmo as correrias mais agitadas. Mas sempre há dias em que as cafeterias precisam lidar com a escassez de pessoal, o que pode ser estressante.
A escassez de mão de obra tem sido um problema constante no setor de serviços, agravado pela pandemia. Muitas cafeterias continuam enfrentando desafios como fechamentos antecipados, tempos de espera mais longos, esgotamento dos funcionários e um elevado turnover (quando há a saída de um funcionário e consequentemente a necessidade de reposição).
No entanto, há soluções. Saber lidar com a escassez de pessoal de maneira eficaz apresenta uma oportunidade valiosa para os proprietários de cafeterias investirem verdadeiramente em seus baristas. Para saber mais, conversei com Vivian Phelps, fundadora e proprietária da The Monk Coffee Roasters. Continue lendo para saber mais sobre como as cafeterias podem enfrentar e superar a escassez de mão de obra.
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LIDANDO COM A ESCASSEZ DE MÃO DE OBRA NA HOSPITALIDADE
Nenhuma indústria está imune à escassez de pessoal, mas essa questão costuma ser a mais difundida no setor de hospitalidade, inclusive para cafeterias. As altas taxas de rotatividade são uma realidade que a indústria global de hospitalidade vem experimentando há algum tempo. Como os trabalhos neste setor geralmente exigem menos habilidades específicas do que em outros, os empregadores tendem a investir menos na qualificação de seus comandados. Por sua vez, estes se sentem menos motivados para crescer em suas funções.
E, francamente, a pandemia piorou a situação. Em julho de 2023, a associação comercial UK Hospitality informou que o número de vagas de emprego nacionais era 48% mais alto do que antes da Covid-19 — com menos pessoas inclinadas a trabalhar no setor de hospitalidade.
Além disso — no contexto do Reino Unido e da UE especificamente — o Brexit também aumentou a tensão. De acordo com um artigo do Guardian de 2021, acredita-se que mais de 30% da equipe de hospitalidade no Reino Unido tenha vindo de outros países europeus antes do Brexit. Isso, sem dúvida, deixou uma lacuna significativa no mercado de trabalho após a saída dos trabalhadores da UE.
Aumento da inflação e custos
Após a pandemia, o aumento dos preços dos alimentos e dos custos de energia vem afetando muitas pessoas em todo o mundo. De fato, em março de 2023, a BBC informou que os preços dos alimentos atingiram o maior valor em 45 anos no Reino Unido. E como lá, em outros países consumidores de café o cenário é semelhante..
Claro, isso teve um impacto profundo nas empresas de café e ainda continua a ter. Os proprietários de cafeterias e torrefações tiveram que absorver custos adicionais ou passar alguns deles para os consumidores, aumentando a pressão sobre uma margem de lucro já reduzida ou forçando uma queda nas vendas. Naturalmente, isso só exacerba a escassez de baristas e funcionários.
Vivian Phelps é a fundadora e proprietária da The Monk Coffee Roasters em Ibiza, Espanha — um mercado de café relativamente único. Ela diz que, ao contrário de outros países do norte da Europa, a subsidiária espanhola da Specialty Coffee Association foi estabelecida recentemente. “Portanto, encontrar baristas espanhois treinados é difícil, mesmo sem a escassez geral de mão-de-obra no setor de hospitalidade”.
Os custos de moradia também contribuíram para problemas com a equipe. “As moradias limitadas geram aluguéis muito altos específicos para Ibiza, exacerbados pela natureza sazonal de nossa indústria turística”, explica Vivian. “Muitas empresas de hospitalidade também fecham por seis meses todos os anos.”
OS PROBLEMAS COM A FALTA DE PESSOAL
É inevitável que os cafés enfrentem escassez de pessoal, portanto, saber o que esperar é fundamental. Um dos problemas mais comuns é o estresse físico e mental pelo qual a equipe acaba passando. Um estudo do World Coffee Portal de 2023 com trabalhadores do setor nos EUA descobriu que 90% faziam turnos extras em 2022. Em 75% dos casos, isso ocorria devido à escassez de pessoal.
O mesmo estudo também descobriu que 56% dos funcionários se sentem esgotados e 27% dos entrevistados não planejavam trabalhar no setor de hospitalidade no longo prazo. Eles alegavam estar sobrecarregados e mal remunerados.
Trabalhar em cafeterias pode ser algo agitado, com horários imprevisíveis, tarefas física e mentalmente exigentes e horário estendido. Lidar com a escassez de pessoal além disso pode ser incrivelmente desafiador. Além disso, quando os funcionários estão muito sobrecarregados, a qualidade e a consistência das bebidas e do atendimento ao cliente podem cair. Se a escassez de pessoal persistir e esses problemas se tornarem mais frequentes, as cafeterias podem arriscar perder clientes.
Para proprietários e gerentes de empresas, lidar com altas taxas de rotatividade de funcionários pode ser muito caro. Quando um barista qualificado sai, pode ser difícil contratar e treinar um novo funcionário igualmente apaixonado e proficiente. “Os custos de mitigação desses desafios precisam ser considerados”, diz Vivian. “O treinamento e a retenção de baristas são considerações importantes, e você precisa criar incentivos para a equipe permanecer.”
Os proprietários e gerentes de cafeterias, no entanto, podem ter dificuldade em investir totalmente em seus baristas se também tiverem que resolver outros problemas de pessoal ao mesmo tempo. Infelizmente, a falta de treinamento e suporte pode fazer com que os funcionários se sintam frustrados, despreparados e insatisfeitos com seu trabalho.
Desafios específicos regionais
A escassez de pessoal é um problema global para o setor de hospitalidade, mas certas regiões e mercados costumam ser mais afetados. Por exemplo, Vivian me diz que a The Monk Coffee Roasters aluga espaços residenciais em Ibiza para sua equipe. “Mesmo que paguemos salários mais altos aos funcionários, encontrar um apartamento na alta temporada é extremamente difícil”, diz ela. “Além disso, os preços dos aluguéis também podem aumentar neste período em até 100%.”
Vivian acrescenta que ele também teve que procurar baristas treinados de outros países da UE (e não da UE) como resultado da escassez de pessoal na Espanha. Ela conta que usou o PDG Jobs — um painel de empregos com oportunidades de alguns dos nomes mais estabelecidos no setor de cafés especiais — para ampliar o pool de contratação. “Precisávamos alcançar um público mais amplo fora da Espanha, e o PDG Jobs era um ótimo recurso”, diz.
A PDG Jobs hospeda uma grande variedade de anúncios de emprego do setor, incluindo vagas de torrefação, gerenciais e de compra de café verde. A plataforma é atualizada regularmente para que os profissionais do café possam se manter informados sobre as últimas atualizações.
INVESTIR EM BARISTAS É ESSENCIAL
A melhor — e possivelmente única — maneira de os proprietários e gerentes de cafeterias mitigarem esses desafios é investir em seus funcionários. Isso pode significar muitas coisas, incluindo:
- oportunidades de treinamento;
- cultivar um ambiente de aprendizagem de apoio onde os baristas possam ganhar confiança em suas habilidades;
- incentivar a comunicação bidirecional e aberta para resolver disputas e abordar preocupações.
Com as funções de barista, às vezes consideradas temporárias ou “bicos”, os empregadores precisam oferecer oportunidades que permitam o crescimento de carreira a longo prazo, para que os baristas possam desenvolver suas habilidades, passar para funções de gerenciamento e liderança e trabalhar em seu desenvolvimento profissional. “Uma cultura de empresa inclusiva, onde o crescimento na carreira e as oportunidades são fornecidas, é fundamental para a retenção de funcionários e para evitar a escassez de baristas”, diz Vivian.
Investir na progressão na carreira dos baristas pode ajudar os funcionários a se sentirem mais apoiados e valorizados e a ter um futuro mais longo e sustentável trabalhando no café. Os baristas e outros profissionais do café podem explorar diferentes planos de carreira usando quadros de empregos específicos do setor, como o PDG Jobs.
Gerenciar a escassez de pessoal como uma equipe
Se o inevitável acontecer e uma cafeteria tiver que lidar com a escassez de funcionários, aumentar a moral dos funcionários é crucial. E isso decorre geralmente da criação de uma cultura de trabalho que incentiva os baristas a compartilhar seus comentários e opiniões. Para fazer isso, os proprietários e gerentes de cafés devem primeiro saber o que seus funcionários precisam. Estabelecer um ciclo de comunicação bidirecional dá à equipe a chance de opinar.
Ouvir os funcionários é fundamental para mantê-los. Por exemplo, eles querem alternar funções durante todo o turno para mantê-los atentos? Eles precisam de pausas mais frequentes ou turnos diferentes? Reconhecer essas preocupações e abordá-las da forma mais sustentável possível pode ajudar a minimizar o risco de escassez de pessoal em primeiro lugar.

Como a escassez de funcionários persiste após a pandemia, os proprietários de cafés devem abordar proativamente esses problemas para melhor apoiar seus baristas. Investir nos funcionários é cultivar um local de trabalho solidário e saudável para construir uma equipe saudável e coesa.
Se você é um profissional do café que procura o próximo passo em sua carreira, os quadros de empregos como o PDG Jobs podem ser um ótimo lugar para começar. As empresas de café também podem usar essas plataformas para lançar uma rede mais ampla para suas posições abertas e destacar como elas podem apoiar novos funcionários.
Gostou? Então leia nosso artigo sobre o que as sindicalizações de baristas significam para cafés especiais.
Créditos da foto: The Monk Coffee Roasters
PDG Brasil
Tradução: Daniela Melfi.
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