Como calcular a produção anual do cafeeiro?
A antecipação das colheitas futuras é uma ferramenta crucial em diversos níveis de planejamento e por isso é tão importante saber como calcular a produção anual média. Na fazenda, isso possibilita análises precisas dos investimentos necessários em fertilização. No âmbito dos países produtores, auxilia na projeção das receitas anuais de café nos orçamentos agrícolas do PIB. Globalmente, as bolsas de valores baseiam seus preços na comparação da oferta entre países produtores e seus estoques.
Ao nível dos países produtores, ajuda a projetar as receitas anuais de café em seus orçamentos estaduais do PIB agrícola. Ao nível mundial, as bolsas de valores fixam preços em torno da comparação da oferta dos países produtores e seus estoques de armazém.
Para compreender como fazer uma estimativa da produção anual nas fazendas, conversei com Edwin Noreña e Rodrigo Cortés, produtores colombianos que compartilharam suas experiências nessa prática. Acompanhe para descobrir o que eles revelaram.
Leia também: O que é “pasilla”? Aprenda a evitá-la e aproveitá-la

Os ciclos anuais de produção
A produção de café é impactada por diversos fatores, incluindo clima, radiação solar, temperatura, chuvas e composição físico-química do solo (profundidade, densidade, textura e pH). Além disso, fatores controláveis, como conteúdo de matéria orgânica, densidade de plantas, plano de renovações e manejo de sombra também influenciam a produção.
O café arábica segue um ciclo fenológico bianual, alternando anos de alta e baixa produção. O manejo do cafezal está diretamente ligado a ele, com a produção ocorrendo nos nós novos, levando à eliminação de tecido improdutivo e brotos. O ciclo produtivo do cafeeiro se estende por nove anos, atingindo a maior produtividade entre o terceiro e o sétimo ou oitavo ano. Após o nono ano, a produção declina, indicando a necessidade de renovação vegetal.
O manejo da sombra também desempenha um papel crucial. A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia destaca que densidades mais baixas resultam em maior produção. Por exemplo, em quatro colheitas, uma planta cultivada em densidade de 5 mil plantas/ha produz 0,99 kg de café em pergaminho seco, enquanto em 10 mil plantas/ha, a produção é de 0,54 kg.

Como calcular o volume anual de produção do cafeeiro?
Na região sul da Colômbia, especificamente em Huíla – que fica a 1900m acima do nível do mar, variedades como Castillo, Tabi e Caturra prosperam. Rodrigo Cortés, CEO da Café Finca Los Andes, destaca a importância do monitoramento da FNC em “fazendas representativas”, registrando eventos de floração. Essa informação é contrastada com fatores climáticos, como o fenômeno La Niña, e relatórios meteorológicos durante o inverno. Rodrigo salienta que invernos rigorosos podem prejudicar as colheitas, e o verão, entre dezembro e fevereiro, é crucial para garantir uma floração ideal. Os períodos de floração e colheitas variam conforme a localização e a altitude.
Edwin Noreña, engenheiro-agrônomo, provador certificado e cafeicultor de quarta geração no eixo central cafeeiro colombiano, destaca que a FNC acompanha eventos de floração para prever as colheitas na região. Ele enfatiza a complexidade da tarefa, exigindo treinamento para analisar o estado fisiológico das lavouras com base em vários critérios e interpretar dados para orientações técnicas precisas.

Que ferramentas podem usar os produtores?
No cálculo da produção anual uma plantação, a avaliação visual do estado do cafezal e dos fatores ambientais é crucial. Isso inclui análises de temperatura, precipitação, radiação solar, umidade, vento, altitude e latitude. Em seguida, por meio de percursos de amostragem aleatória (em formato de cruz ou zig zag), avaliam-se as árvores com base nos sulcos totais do terreno. A seleção se dá pelo ramo com o maior número de botões florais em pré-antese de cada pé de café, estimado visualmente pela contagem do número de ramos com flores no mesmo estágio.
Com esses dados em mãos, há a realização de cálculos matemáticos para determinar a proporção de árvores floridas, o número total de flores e a porcentagem de floração. Isso conduz à projeção da quantidade de café cereja a ser colhido, embora o processo nem sempre seja fácil de replicar. Edwin destaca a complexidade da contagem de flores, especialmente ao considerar a idade da plantação. O plano de renovação do cafezal, correspondendo a 20% anual da área total, também precisa ser considerado, seja por meio de novos plantios ou podas.

Como as condições da fazenda impactam na produção anual de cada cafeeiro?
O clima, especialmente durante o inverno e as oscilações do sul (ENSO), como El Niño e La Niña, desempenha um papel vital na produção de café. Esses eventos podem resultar em períodos de alta precipitação e baixa exposição solar.
A altitude também é um fator crucial. Rodrigo destaca que, em geral, altitudes mais elevadas tendem a ter menor volume de produção, embora ofereçam vantagens como de menor incidência de pragas e doenças, entre elas a ferrugem e a broca, sem abordar a qualidade.
A luz regula o comportamento produtivo das plantas, afetando processos como fotossíntese, fotorrespiração, respiração, transpiração e abertura estomática. Em linhas gerais, uma maior exposição à luz está diretamente relacionada a um incremento produção.

Isso muda de acordo com varietais ou país produtor?
Centros de pesquisa em diversos países dedicam-se ao desenvolvimento de variedades e híbridos adaptados às condições específicas de diferentes regiões, buscando otimizar a produção local. Houve ainda o estabelecimento de sistemas de monitoramento por zonas, baseados em dados históricos e médias anuais, para avaliar a produtividade. Mas apesar desses avanços, é crucial destacar que o monitoramento não substitui a observação direta das florações, pois os dados contrastam com projeções, aprimorando a precisão das previsões.
Edwin explica que a FNC mantém um cadastro de cafeicultores e gerencia um modelo de georreferenciamento, permitindo dados históricos e facilitando a estimativa de esquemas de renovação e planos de assistência técnica por engenheiros. Enquanto em Honduras a estimativa de colheita é baseada na carga frutífera da planta, com critérios específicos, como sete nós produtivos por ramo e onze frutos por cada nó. Outro indicador essencial é o número de frutos por libra, visando alcançar aproximadamente 205 cerejas, com uma média mínima de produtividade por planta de 5,5 libras (2,49 kg).

Estimativas da produção anual média de café por árvore
Ao nível das fazendas, Edwin destaca que poucos produtores utilizam o sistema de contabilização. São cafeicultores maiores que o adotam, devido à exigência de formação técnica e outros requisitos. Em contrapartida, Rodrigo explica que cerca de 90% dos cafeicultores menores (com menos de 5ha) usam um método visual, categorizando a colheita em três faixas, sendo a boa acima de 8 mil kg/ha, entre 7 e 4 mil a regular e em torno de 2 mil a ruim.
Edwin aponta que uma colheita ótima deve ultrapassar 1,7 kg/c.p.s./planta. Atualmente, a média na Colômbia está em 1,2 kg/c.p.s./planta, com densidades de aproximadamente 5500 árvores/ha. Segundo ele, uma colheita ótima deve superar os 1,7 kg/c.p.s./planta. Atualmente, a média na Colômbia está em 1,2 kg/c.p.s./planta e em densidade média de 5500 árvores/ha. A título de comparação, em Honduras estipulou-se o rendimento mínimo necessário para garantir a viabilidade econômica de um cafezal em 1 kg de café torrado por planta.

Ambos os entrevistados concordam que tanto as previsões baseadas na floração pela FNC quanto as avaliações visuais empíricas alcançam índices de precisão superiores a 90%. A importância da projeção produtiva torna-se evidente, moldando o planejamento em diferentes níveis e desempenhando um papel vital na redução da incerteza nas decisões estratégicas.
O sucesso de uma estimativa ao nível da fazenda antecipa necessidades de investimento e insumos. E além disso estabelece uma relação custo-benefício que se torna um marco histórico. Em termos nacionais, isso simplifica a identificação de áreas que necessitam de suporte, contribuindo para o desenvolvimento de novas tecnologias que impulsionem os territórios cafeeiros.
Gostou deste artigo? Então leia nosso artigo sobre o bem-estar dos colhedores na produção de café.
Créditos das imagens: Francisco Enríquez, Arnold Paz.
PDG Espanhol
Traduzido por Ana Mercedes Fernández
Quer ler mais artigos como este? Assine a nossa newsletter semanal aqui!



