Francisco Enriquez, Author at PDG Brasil https://perfectdailygrind.com/pt/author/franciscoenriquez/ Revista digital sobre café, da fazenda à xícara Wed, 05 Jun 2024 19:33:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://perfectdailygrind.com/pt/wp-content/uploads/sites/5/2020/02/cropped-pdgbr-icon-32x32.png Francisco Enriquez, Author at PDG Brasil https://perfectdailygrind.com/pt/author/franciscoenriquez/ 32 32 Tipos de poda e seu impacto nos ciclos de produção do café https://perfectdailygrind.com/pt/2024/06/17/tipos-de-poda-cafe/ Mon, 17 Jun 2024 07:03:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14389 Os tipos de poda são fundamentais para os ciclos de produção do café, afetando diretamente a longevidade e a produtividade das plantas. Em sistemas empresariais, como os praticados no Brasil, são usadas podas escalonadas para renovar os tecidos das plantas, enquanto pequenos produtores enfrentam desafios diferentes. Nos sistemas empresariais, a poda escalonada é feita quando […]

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Os tipos de poda são fundamentais para os ciclos de produção do café, afetando diretamente a longevidade e a produtividade das plantas. Em sistemas empresariais, como os praticados no Brasil, são usadas podas escalonadas para renovar os tecidos das plantas, enquanto pequenos produtores enfrentam desafios diferentes.

Nos sistemas empresariais, a poda escalonada é feita quando os cafezais estão na fase descendente de seu ciclo produtivo. Já para pequenos produtores, uma poda tão drástica significaria três anos sem renda até as plantas voltarem a produzir. O tempo e a produtividade mostram que, para alcançar o primeiro ano de produção, as plantas precisam de três anos de crescimento. Esse período é mais longo em variedades arábicas, podendo atingir até 70% ou mais.

Nos cafeeiros híbridos, como Parainema, Ihcafe 90 ou Lempira, o pico de produção é alcançado no quinto ano. Para essas variedades, foram introduzidos sistemas de poda em diferentes alturas para manter a produtividade e regenerar os tecidos em 17 meses, em vez dos três anos anteriores.

Para mais informações sobre tipos de poda e técnicas recomendadas, entrevistamos José Arnold Paz, engenheiro-agrônomo e chefe de controle de qualidade da Finca Santa Elena, e Juan Carlos Vega, gerente da empresa consultora Triple I Consulting no Equador.

Leia também: Como garantir a nutrição da lavoura de café?

O propósito da poda dos cafeeiros

Os cafeicultores precisam conhecer bem o tipo de material em suas fazendas. Com base nisso, podem avaliar, no pico da colheita, se a planta está bem folheada e se os ramos são produtivos.

O café é um capital importante para os produtores e pode ser comercializado antes mesmo da colheita, através do modelo de futuros. Em Honduras, várias técnicas de manejo de tecidos foram desenvolvidas para garantir a produtividade contínua. Arnold explica que as podas são feitas principalmente para renovar os tecidos e eliminar partes não produtivas. A escolha do tipo de poda depende da variedade de café. Se a variedade for arábica, as podas serão mais delicadas do que para híbridos.

A poda do ramo principal instrui a planta a crescer e produzir frutos. Com base na experiência dos entrevistados, apresentamos a seguir uma síntese dos tipos de poda mais comuns na cafeicultura tecnologizada.

Podas de formação

Arnold destaca que a poda de formação é sutil, já que se deve manejar a planta por eixos. Se a poda acontecer no quarto eixo, a planta para de crescer, mas continua a se desenvolver, resultando em uma planta semelhante a um bonsai. Quando a poda é no quinto eixo, a planta se desenvolve, mas não cresce, levando ao surgimento de brotações ao nível do solo, que podem afetar a qualidade do café.

Portanto, as podas de formação não devem ser realizadas sem um plano de manejo e devem estar alinhadas com a intenção do cafeicultor, seja para obter plantas menores ou para um controle contínuo.

Arnold aconselha a evitar podas antes do décimo eixo, para focar mais nos ramos produtivos do que no eixo central da planta. Isso ajuda a combater a bianualidade e promove uma produção mais estável.

O Agobio

Essa prática veio para estimular o crescimento das raízes e dos eixos. No entanto, as brotações resultantes frequentemente se transformavam em ramos produtivos, reduzindo a produtividade em até de 30 a 40%. 

A magnitude dessa perda nem sempre era fácil de quantificar, pois uma mesma planta podia ter três a quatro eixos em produção simultaneamente. Essas brotações, que se tornavam plantas produtivas, afetavam a gestão da nutrição e da produção, levando à descontinuação dessa prática em Honduras.

Juan Carlos compartilha uma experiência exitosa na Nicarágua, onde o manejo da variedade Java em quatro eixos resultou em uma produção gerenciada até o quarto ano, com alternância de eixos para garantir sustentabilidade na produção.

Podas para renovação da produção

Manejo de eixos

À medida que as plantas de café envelhecem ou atingem uma certa altura, é comum que elas se bifurquem em dois ramos a partir do mesmo eixo. No entanto, um desses ramos não é produtivo e depende da planta mãe para sustentação, o que reduz a capacidade da planta de produzir frutos.

Falando sobre o manejo em dois eixos, Arnold explica que, em Honduras, é comum plantar duas mudas no mesmo local, o que resulta em um crescimento conjunto das duas plantas, criando uma aparência de densidade e folhagem. No entanto, esse sistema apresenta um problema: quando o ramo produtivo encontra a outra planta, ele automaticamente para de crescer.

Isso significa que cada planta terá apenas ¾ do crescimento esperado, com ¼ que não desenvolve frutos. Como resultado, a produção cai cerca de 25%, o que equivale a sete libras em vez das dez ideais. Além disso, os custos de fertilização aumentam, por ser preciso fertilizar duas plantas em vez de uma.

Quando fazemos a eliminação do ápice no viveiro ocorre uma reação na qual a planta forma uma bifurcação com dois ramos. Deve-se eliminá-los com um corte feito onde a cor marrom do caule adulto termina e o verde do caule em formação começa. Isso permite a remoção dos “filhos” e instrui a planta a continuar crescendo para cima.

Quanto ao manejo de eixos, existe um debate em andamento. Juan Carlos, por exemplo, recomenda o manejo em dois eixos porque permite controlar uma parte da planta produtiva enquanto a outra está em processo de renovação. Isso garante uma colheita contínua durante os trabalhos de renovação dos tecidos e pode ser mais simples e gerenciável para pequenos e médios produtores.

Poda a um metro e cinquenta

Após uma avaliação visual, o produtor deve garantir que cada planta tenha 25 ramos principais, cada um com 25 a 30 folhas, para amadurecer aproximadamente 4,5 kg de frutos. Se a planta não estiver bem folheada, deve-se podar a uma altura de 1,50 metros, ativando a ordem genética da planta para se encher de folhas.

Poda de produção a um metro e setenta

Quanto mais herança genética de arábica o cafeeiro possui, maior será a tendência à bianualidade. Isso significa que, em um ano, o ramo principal produzirá desde o caule até quase 70% dos ramos, enquanto no ano seguinte a produção ocorrerá na parte apical, ou seja, cerca de 30% da parte externa ou final do ramo.

Devido a essa alternância na produção, os produtores frequentemente observam que um ano é bom em termos de produção e o seguinte é ruim. Para mitigar esse padrão, recomenda-se alterar a altura da poda. Ao realizá-la a 1,70 metros, a planta recebe a instrução genética para alongar-se.

Dessa forma, é possível interromper seu desenvolvimento vertical, estimulando o crescimento lateral. Isso promove o desenvolvimento dos ramos secundários e terciários. Com esse crescimento, o ramo principal recebe mais luz solar, suporta mais peso e, o mais importante, os 30% de produção esperados pela bianualidade se compensam com os ramos da parte apical.

Outros tipos de poda

  • Ventaneo: Essa poda ajuda na aeração da planta, melhorando a respiração e a transpiração. Estimula o crescimento de ramos secundários e terciários, aumentando a produção. Juan Carlos recomenda essa prática para pequenos e médios produtores, apesar do manejo manual difícil de mecanizar.
  • Poda rock and roll: Este método envolve cortar o caule da planta entre 76 e 90 centímetros do nível do solo, deixando os ramos e brotos abaixo do corte. A altura do corte depende do estado de deterioração da planta.
  • Poda de esqueletamento:  Consiste na eliminação de todos os ramos primários a uma distância de 10 a 15 centímetros da base do caule principal. Em seguida, permite-se que todos os brotos que se formarem nos ramos se desenvolvam. O novo crescimento levará 19 meses para se tornar produtivo. É importante deixar uma porção dos ramos terminais da árvore durante a colheita de café, o que ajuda os produtores a não perderem completamente a safra.

Recomendações gerais

Para aplicar podas, o pequeno produtor deve adotar uma abordagem semelhante à do grande produtor, gerenciando os fluxos em parcelas e emulando o sistema em sua escala. O pequeno produtor deve se especializar e ser seletivo ao realizar podas por planta ou por sulco.

Por exemplo, se ele maneja 3500 plantas por bloco ou 5000 plantas por hectare, deve considerar que ¾ da fazenda deve se manter produtiva e ¼ em renovação. Dessa forma, ele conseguirá renovar o cafezal em quatro anos sem perder produção.

O manejo de tecidos se faz, às vezes, aos três anos, outras vezes aos cinco e, raramente, aos oito, dependendo da variedade e da fazenda. Portanto, é crucial conduzir as podas seletivas com critério e conhecimento.

Ambos entrevistados destacam que o manejo de eixos ainda gera muitos debates, mas concordam que o objetivo da poda tecnificada é reduzir a bianualidade produtiva do cafeeiro.

Por isso, é importante se familiarizar com a fisiologia do café e organizar-se estrategicamente para coordenar as épocas do ano e interpretar as necessidades de poda em cada variedade. Todo esse conhecimento, muitas vezes, chega até o produtor por tentativa e erro, até desenvolver o discernimento específico ao longo do tempo e da prática, mas sem dúvida, vale a pena.

Gostou deste artigo? Então leia sobre Como calcular a produção anual do cafeeiro.

Créditos das imagens: Tripe I Consulting, Finca Santa Elena, Francisco Enriquez, IHCAFE.

PDG Brasil

Traduzido por Ana Mercedes Fernández

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Fertilização e produção de adubos orgânicos a partir de plantas https://perfectdailygrind.com/pt/2024/05/31/adubos-organicos-cafe/ Fri, 31 May 2024 07:02:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14340 A nutrição das plantas de café é fundamental para garantir a sustentabilidade das fazendas a cada ciclo de produção. Durante a colheita, retiramos as cerejas e o material vegetal, esgotando os nutrientes do solo. Portanto, é crucial repor esses nutrientes (minerais) para manter a saúde do solo e garantir a sustentabilidade do sistema e os […]

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A nutrição das plantas de café é fundamental para garantir a sustentabilidade das fazendas a cada ciclo de produção. Durante a colheita, retiramos as cerejas e o material vegetal, esgotando os nutrientes do solo. Portanto, é crucial repor esses nutrientes (minerais) para manter a saúde do solo e garantir a sustentabilidade do sistema e os recursos. 

As necessidades nutricionais das plantas de café variam segundo a fase fenológica da cultura. Para o enraizamento, desenvolvimento e engrossamento do grão, diferentes minerais são exigidos em quantidades variadas. Nesse sentido, é importante entender como os adubos orgânicos podem contribuir para suprir essas necessidades.

Conversei com especialistas como Michael Montalván, gerente da Cooperativa Agrária Cafeeira La Prosperidad de Chirinos, no Peru, e Edgar Blandón Suarez, gerente da empresa familiar Sol y Luna, na Colômbia, para compreender o impacto e a eficácia dos adubos orgânicos nesse processo.

Leia também: Requisitos técnicos e boas práticas para a exportação de café

Resíduos da cafeicultura que serão usados na produção de adubo orgânico

Tipos de agricultura nas fazendas

Em termos de mudanças climáticas, cerca de 30% da responsabilidade pela emissão de CO₂ é atribuída ao setor agrícola. Diante desse cenário, surgiram diferentes abordagens na agricultura. Uma dessas abordagens é o uso de insumos naturais, tanto os próprios da fazenda quanto os introduzidos para o tratamento e fabricação de adubos orgânicos. Essas técnicas estão enraizadas em uma consciência ambiental e social, buscando assegurar a sustentabilidade do sistema produtivo e a segurança alimentar baseada na diversificação.

Por outro lado, existe a prática da agricultura mista, que combina o uso de insumos da própria fazenda para fabricar adubos orgânicos com a complementação de suplementos químicos para evitar deficiências ou desequilíbrios nutricionais. Esta prática é mais comum e amplamente adotada. No entanto, é desafiador estabelecer um plano de nutrição sem uma análise prévia do solo. Dado que cerca de 80% do café mundial é produzido por pequenos produtores, muitas vezes não é viável arcar com os custos de várias análises laboratoriais.

Nesse contexto, países produtores têm desenvolvido mapas de solos detalhados, que incluem informações sobre textura, fertilidade e recomendações padronizadas por setores, climas, tipos de solo e variedades, especificamente adaptadas às localidades cafeeiras. Além disso, o cooperativismo desempenha um papel crucial nesse contexto. Por exemplo, no Peru, o ele foi fundamental para liderar o mercado mundial de café orgânico certificado, como mencionado por Michael.

Produtor de cafés que aposta no uso de adubos orgânicos

Como produzir adubos orgânicos?

O cultivo de café é conhecido por gerar uma abundância de subprodutos que os produtores estão aprendendo a reaproveitar como adubos orgânicos nas fazendas. Entre eles, os principais são a polpa do café, seguida pelo material resultante das podas e pelas águas-mel, com a consideração adicional do material vegetal circundante ou proveniente da agrobiodiversidade da fazenda.

Edgar ressalta a importância da realização de uma análise laboratorial dos adubos orgânicos fabricados localmente. Isso determina a quantidade de nutrientes presente nos adubos, seguindo uma abordagem similar à aplicada aos fertilizantes comerciais. Assim se tem acesso a informações detalhadas sobre o conteúdo de nutrientes e minerais, ajudando a calcular a quantidade de adubo necessária por planta em comparação com o conteúdo do solo.

Por essa razão, ele sugere padronizar os protocolos de fabricação dos adubos orgânicos e assim garantir que o conteúdo de nutrientes permaneça consistente entre diferentes lotes de fabricação. Isso implica listar os insumos e materiais empregados, sejam de origem animal, vegetal ou mineral, um processo facilitado ao nível de associações de classe.

Ao fabricar qualquer tipo de adubo orgânico, é essencial considerar uma fonte de nitrogênio, como material vegetal de espécies leguminosas ricas em nitrogênio ou esterco animal, e uma fonte de carbono, geralmente proveniente dos resíduos da colheita, como a polpa do café, galhos e restolhos. Além disso, a relação carbono/nitrogênio deve ser considerada para garantir a qualidade do adubo, juntamente com a incorporação de outros ingredientes acessíveis que podem variar conforme a localidade, como cal, cinzas e micro-organismos.

Os fatores fundamentais que intervêm durante a fabricação dos adubos orgânicos são a temperatura, o oxigênio e a umidade. Esses elementos condicionam a ação dos micro-organismos responsáveis pela decomposição da matéria orgânica e sua transformação em adubo rico em nutrientes assimiláveis para as culturas.

Técnicas mais utilizadas para a fabricação de adubos orgânicos:

  • compostagem: este método envolve um processo aeróbico de transformação natural de resíduos orgânicos. Por meio da ação dos micro-organismos presentes no solo, esses resíduos são convertidos em adubo orgânico, pronto para fornecer nutrientes e ser aplicado diretamente no cafezal;
  • bokashi: esta técnica, originária do Japão, envolve um processo de fermentação aeróbica que acelera a degradação da matéria orgânica pela ação da temperatura;
  • biofertilizante: resultado de um processo anaeróbico, este adubo líquido é rico em fito-hormônios;
  • vermicompostagem ou húmus de minhoca: tem origem na ação da minhoca-vermelha-da-califórnia (Eisenia foetida), sendo rico em nutrientes e um excelente melhorador de solo.

Custos e desperdícios: benefícios dos adubos orgânicos

Independentemente do método de produção agrícola praticado, o uso de adubos orgânicos representa um alívio para a economia da fazenda, considerando especialmente a volatilidade dos preços dos fertilizantes introduzidos, sejam de origem química ou de rótulo verde. É importante observar que práticas como o plantio sob exposição solar direta e em densidades mais altas podem demandar um maior consumo de fertilizantes.

Embora vários estudos indiquem uma maior rentabilidade dos fertilizantes químicos, é importante entender que não se deve avaliar o benefício dos adubos orgânicos apenas do ponto de vista econômico. Esses adubos envolvem outras dimensões de bem-estar, como a conservação ambiental, a sustentabilidade e a troca de conhecimentos locais, conforme destaca Edgar.

Com a incorporação de adubos orgânicos em suas operações, tanto Edgar em sua empresa familiar quanto Michael em sua experiência cooperativa alcançaram melhorias significativas na produtividade. Edgar atingiu colheitas de 40 sacas/ha, enquanto Michael conseguiu elevar as produtividades históricas médias de 10 sacas/ha para 25 sacas/ha com a aplicação tecnificada de adubos orgânicos.

Em relação aos custos, Michael menciona que o sistema orgânico permite uma redução de cerca de 25% em comparação com a fertilização química. Por outro lado, Edgar aponta inicialmente uma economia de 30%, mas conforme a fazenda se tecnifica na produção orgânica, essa economia pode chegar a até 60% nos custos de insumos.

Adubo orgânico como gerador de valor

Esses benefícios representam um valor agregado para diversos aspectos da fazenda, incluindo a diversidade, o reaproveitamento de resíduos da colheita e o conhecimento local. E com isso criam um novo ciclo para o material descartado. Além disso, tanto Edgar quanto Michael enfatizam a importância da integralidade do sistema produtivo, ressaltando que em um monocultivo seria inviável obter os insumos necessários para a fabricação de adubos orgânicos.

Por outro lado, os entrevistados mencionam que os adubos orgânicos não apenas fornecem nutrientes para as plantas. Eles também melhoram significativamente as características físicas, químicas e biológicas do solo. Essas melhorias incluem aprimoramentos na textura, estrutura, fertilidade, retenção de água, capacidade de troca catiônica e regulação do pH. E tudo isso ao mesmo tempo, em que restauram a biota natural do solo.

Além disso, um cafeeiro bem nutrido apresenta vantagens adicionais, como melhor qualidade de grão, menor incidência de pragas, maior resistência a adversidades climáticas e uma colheita com menos grãos flutuantes e vazios, garantindo assim uma superior qualidade do café. Esses benefícios se estendem às características organolépticas e à qualidade da xícara, confirmando que fertilizar corretamente representa um investimento valioso.

Boa práticas: recomendações gerais

Para promover bons hábitos de aplicação de adubos, deve-se seguir algumas recomendações gerais. Por exemplo, no cafeeiro, a maioria das raízes absorventes está concentrada nos primeiros 25 cm do solo, próximo ao tronco principal. E é daí que o café obtém a maioria de seus nutrientes, competindo com outras plantas superficiais. Portanto, é essencial aplicar adubos sempre perto da base da planta.

Outra prática recomendada é o cultivo deliberado de espécies de cobertura, especialmente leguminosas, visando posteriormente cortar e incorporar seus resíduos como adubo verde. Também se pode usar estas variedades como bancos de proteína para animais.

Recomenda-se considerar as boas práticas agrícolas, que abrangem várias orientações para a fertilização, considerando fatores abióticos como a inclinação do terreno, umidade do solo, presença de chuvas, localização da aplicação do adubo, compatibilidade entre nutrientes, hora do dia e densidade de plantio, entre outros.

Boas práticas e sustentabilidade

No contexto da sustentabilidade, as boas práticas agrícolas garantem a fertilidade do solo e a conservação da água e dos recursos em geral. É importante identificar as espécies que proporcionam os maiores benefícios agroecológicos, adaptando-se à zona e à altitude onde o cafezal está localizado.

Adubos orgânicos

Por último, é recomendável realizar a análise constante de solo e diferenciar os lotes, considerando as principais fontes de variabilidade. Entre elas estão: inclinação, áreas planas, margens de rios ou canais de irrigação, e luminosidade. É importante ressaltar que essa análise não é um gasto, e sim um investimento que melhora o rendimento e garante qualidade e sustentabilidade na produção.

A produção de cafés especiais demanda a implementação de cuidados ambientais e alternativas que permitam diversificar os rendimentos das fazendas e promover o uso sustentável dos recursos.

Você gostou deste artigo? Então leia sobre o descumprimento de contratos por parte dos cafeicultores colombianos

Créditos das imagens: Francisco Enriquez 

PDG Brasil

Traduzido por Ana Mercedes Fernández

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Processamento de choque térmico: o que é e como funciona? https://perfectdailygrind.com/pt/2024/05/27/o-que-e-choque-termico-cafe/ Mon, 27 May 2024 07:04:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14324 Os consumidores de cafés especiais estão cada vez mais interessados em descobrir novos e diferentes sabores. Esse interesse leva os produtores a modernizarem seus métodos de processamento pós-colheita para atender à demanda.  Métodos inovadores envolvem pesquisa constante, padronização e replicação para garantir a qualidade e rastreabilidade dos cafés especiais. A inovação não se limita apenas […]

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Os consumidores de cafés especiais estão cada vez mais interessados em descobrir novos e diferentes sabores. Esse interesse leva os produtores a modernizarem seus métodos de processamento pós-colheita para atender à demanda. 

Métodos inovadores envolvem pesquisa constante, padronização e replicação para garantir a qualidade e rastreabilidade dos cafés especiais. A inovação não se limita apenas ao processamento, mas também inclui diferentes abordagens no campo, como clima, altitude, latitude, variedades e práticas agronômicas.

Um método experimental que alguns produtores vêm adotando para melhorar as características sensoriais de seus cafés é o choque térmico. Para entender mais sobre esse processo, conversei com dois especialistas. Continue lendo para conhecer suas experiências.

Leia também: Torra de café e métodos de processamento experimental

Cerejas de cafe em processamento de choque térmico

Como funciona o processamento de choque térmico?

Wilton Benitez, um cafeicultor, degustador e torrefador de Popayán, Colômbia, que também é pesquisador e tem interesse em biotecnologia, explica que o choque térmico não é um método de processamento separado, mas sim uma etapa adicional no processamento do café, que geralmente se realiza em estações de via úmida.  “O café, por ser um alimento, presta-se à experimentação de técnicas de outras indústrias, como a do vinho e da cerveja, que se caracterizam por terem protocolos de processamento próprios padronizados para obter resultados repetíveis e replicáveis”, afirma. 

O choque térmico envolve submeter os grãos de café a temperaturas altas e baixas, replicando processos utilizados em outras indústrias alimentares, como branqueamento de frutos do mar ou fermentação de baunilha. Isso altera o sabor do café e pode aumentar seu valor de venda.

Juan Luis Alvarado, um provador certificado da América Central com experiência em qualidade de café na Guatemala e no México, compara o choque térmico à pasteurização, ao submeter as cerejas de café a mudanças abruptas de temperatura em curtos períodos. Esse processo, com suas variações de temperatura, esteriliza a matéria-prima do café, promovendo a fermentação e a propagação de microrganismos desejáveis.

O processo ocorre em duas fases. Na primeira fase térmica, os grãos são submetidos a água quente, seja por vapor ou água fervente. Em seguida, a massa é resfriada mergulhando-a em água fria, gelo ou temperatura ambiente. Juan Luis também menciona a possibilidade de aplicar o choque térmico durante a fase de secagem, expondo o café a variações de temperatura para modular seu sabor.

Termômetro é um equipamento essencial para o processamento de choque térmico

O que o diferencia de outros métodos?

O choque térmico concentra-se na esterilização dos grãos de café, garantindo homogeneidade para a inoculação subsequente de microrganismos específicos durante a fermentação. Isso assegura alta qualidade e repetibilidade do processo.

Para Wilton, essa prática é o ponto de partida de um processo e se distingue de outros métodos pela sua capacidade de modular a fermentação do café. As mudanças de temperatura modificam os precursores do aroma, favorecendo ou eliminando certos grupos de bactérias, em uma espécie de esterilização. Após essa etapa, o cafeicultor continua com o processo real (aeróbico ou anaeróbico) usado em sua fazenda.

O choque térmico inativa ou elimina enzimas como catalase, peroxidase e pectinase, que podem afetar a vida útil do grão. Um indicador de um bom choque térmico é a análise laboratorial que mostra a ausência dessas enzimas.

Além disso, o principal resultado que o diferencia é que os grãos mantêm suas características naturais por mais tempo. Também minimiza a presença de resíduos químicos em comparação com métodos convencionais, devido ao uso reduzido de agroquímicos durante a produção agrícola.

Quais são os resultados na xícara? O que isso contribui para o perfil sensorial?

Juan Luis percebe sabores mais distintos e vibrantes devido à higienização das frutas. Ele acredita que essa diferença é mais notável em cafés naturais, nos quais a drupa da cereja é mantida durante a secagem, resultando em sabores de frutas mais evidentes. Nos cafés despolpados, onde a fermentação é mais curta devido à remoção rápida do pergaminho, as diferenças são menos pronunciadas.

Wilton, por sua vez, destaca os sabores exóticos de frutas e caramelo, com maior doçura e menos adstringência. No entanto, ele ressalta que essas características dependem da variedade do café e das condições iniciais da cereja.

O que é necessário para realizar o choque térmico?

Segundo Juan Luis, é fundamental ter infraestrutura, água e recipientes grandes para aquecer a água a 85°C e mergulhar os frutos. Além disso, água doce, com temperatura mínima de 20ºC, é necessária para resfriar a massa.

De acordo com Wilton, as técnicas podem variar dependendo do nível de tecnologia disponível para o cafeicultor. Por exemplo, em comparação com os períodos nos quais o café é submetido ao choque térmico ou à dupla fermentação.

Aqui está um exemplo de processo de choque térmico com alta tecnologia para café despolpado:

  • classificação da cereja por densidade e tamanho, enquanto é esterilizada com ozônio e raios ultravioleta (UV);
  • aplicação do choque térmico (água quente e água fria);
  • na primeira fermentação da cereja, microrganismos específicos são inoculados para orientar o perfil de sabor;
  • despolpamento;
  • segunda fermentação dos grãos em biorreatores controlados até que condições específicas de pH, graus Brix e condutividade elétrica sejam alcançadas, monitoradas com um densímetro;
  • lavagem dos grãos;
  • remoção do oxigênio intracelular do núcleo durante o choque térmico, resultando em maior densidade;
  • secagem uniforme usando equipamentos ecológicos com temperatura controlada após a lavagem dos grãos.
cerejas em processamento de choque térmico

É viável para pequenos produtores?

De acordo com Wilton, a aplicação desse processo é desafiadora para pequenos produtores devido ao alto investimento em equipamentos e tecnologia necessários. No entanto, se um produtor decidir investir, a relação custo-benefício será mais favorável em uma escala maior.

Por exemplo, em lotes pequenos de 200 a 300 kg, o processo seria mais complexo e exigiria mais mão de obra para realizar os controles necessários manualmente. Se não for executado corretamente, pode afetar a qualidade e ter um efeito oposto ao desejado.

Por outro lado, Juan Luis sugere que o processo é mais viável para pequenos produtores, pois experimentos têm maior viabilidade em menor escala. Ele observa que até mesmo os grandes produtores realizam lotes experimentais em pequena escala.

O mercado do café processado com choque térmico

Wilton destaca que o choque térmico é uma técnica mais complexa, requerendo mais cuidado em comparação aos métodos tradicionais de processamento, como lavagem, natural ou honey. 

No entanto, ele aponta seis benefícios dessa técnica que garantem a permanência, estabilidade e replicabilidade dos lotes especiais no mercado exigente de cafés especiais: higienização da fruta, controle da atividade enzimática para conservação e redução da oxidação, remoção do ar intracelular para aumentar a densidade do café verde, maior doçura e amaciamento dos compostos do grão, como casca e mucilagem, para o processamento.

Juan Luis observa que a demanda por cafés com sabores exóticos é principalmente proveniente de países asiáticos, como Japão, Coreia e Taiwan, que buscam sabores distintos, similares aos encontrados em chás exóticos. Além disso, consumidores dos países nórdicos e da Austrália também estão explorando essas características exóticas da bebida.

Erros comuns e riscos a evitar neste processo

Wilton destaca a importância de iniciar o processo com cafés previamente classificados e investir em inovação de equipamentos, criando centros de médio a grande porte que reúnam os cafeicultores. Ele enfatiza que investir em novas tecnologias e ferramentas de alta qualidade é essencial para garantir a movimentação de maiores volumes de café com qualidade e segurança.

Um dos maiores riscos desse processo é o manejo inadequado das altas temperaturas e o controle inadequado dos tempos, que podem resultar na morte do embrião do café, levando ao envelhecimento rápido e perda de qualidade organoléptica.

Para mitigar esses erros, Juan Luis recomenda seguir protocolos e horários para não deixar a massa de café por muito tempo em água quente. E então reduzir a temperatura com água fria, mantendo-a entre 5 e 15 °C. A temperatura ideal para metabolizar os açúcares varia entre 30 e 40 °C, enquanto a temperatura máxima deve ficar entre 35 e 47 °C.

Durante o processo de choque térmico, o grão de café pode ser imerso em água fervente por um curto período, por exemplo, 30 segundos. No entanto, a imersão por três minutos pode resultar na morte do embrião, como observado por Wilton.

O controle de mais variáveis da água

Um erro comum nesse processo é não controlar adequadamente as temperaturas da água quente e fria, o que pode acelerar a fermentação. Sem o uso de biorreatores controlados, isso pode levar à degradação acelerada com ácidos acéticos desagradáveis na bebida, resultando em notas indesejáveis, como frutas maduras devido à oxidação acelerada.

Além disso, é crucial controlar a qualidade da água em todas as etapas da esterilização, usando métodos ideais mesmo para microrganismos, semelhantes aos usados na indústria do vinho e da cerveja. Também é importante evitar fontes de infecção bacteriana que possam contaminar e afetar o sabor do café.

cerejas em processamento de choque térmcio

Antes de aplicar essa técnica, é crucial planejar e adquirir as ferramentas necessárias para cada etapa. Além disso, é importante validar o conhecimento teórico com experimentação em pequena escala para evitar perdas econômicas.

Cada cafeicultor deve conhecer bem sua matéria-prima e ter os microrganismos adequados para as inoculações, garantindo assim os resultados do processo. Registrar informações de todas as etapas é essencial para garantir a replicação do processo.

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Créditos das fotos: Wilton Benítez.

PDG Brasil

Traduzido por Diego Oliveira

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Como calcular a produção anual do cafeeiro?  https://perfectdailygrind.com/pt/2024/03/13/calcular-producao-anual-cafe/ Wed, 13 Mar 2024 11:01:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=14012 A antecipação das colheitas futuras é uma ferramenta crucial em diversos níveis de planejamento e por isso é tão importante saber como calcular a produção anual média. Na fazenda, isso possibilita análises precisas dos investimentos necessários em fertilização. No âmbito dos países produtores, auxilia na projeção das receitas anuais de café nos orçamentos agrícolas do […]

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A antecipação das colheitas futuras é uma ferramenta crucial em diversos níveis de planejamento e por isso é tão importante saber como calcular a produção anual média. Na fazenda, isso possibilita análises precisas dos investimentos necessários em fertilização. No âmbito dos países produtores, auxilia na projeção das receitas anuais de café nos orçamentos agrícolas do PIB. Globalmente, as bolsas de valores baseiam seus preços na comparação da oferta entre países produtores e seus estoques.

Ao nível dos países produtores, ajuda a projetar as receitas anuais de café em seus orçamentos estaduais do PIB agrícola. Ao nível mundial, as bolsas de valores fixam preços em torno da comparação da oferta dos países produtores e seus estoques de armazém.

Para compreender como fazer uma estimativa da produção anual nas fazendas, conversei com Edwin Noreña e Rodrigo Cortés, produtores colombianos que compartilharam suas experiências nessa prática. Acompanhe para descobrir o que eles revelaram.

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Os ciclos anuais de produção

A produção de café é impactada por diversos fatores, incluindo clima, radiação solar, temperatura, chuvas e composição físico-química do solo (profundidade, densidade, textura e pH). Além disso, fatores controláveis, como conteúdo de matéria orgânica, densidade de plantas, plano de renovações e manejo de sombra também influenciam a produção.

O café arábica segue um ciclo fenológico bianual, alternando anos de alta e baixa produção. O manejo do cafezal está diretamente ligado a ele, com a produção ocorrendo nos nós novos, levando à eliminação de tecido improdutivo e brotos. O ciclo produtivo do cafeeiro se estende por nove anos, atingindo a maior produtividade entre o terceiro e o sétimo ou oitavo ano. Após o nono ano, a produção declina, indicando a necessidade de renovação vegetal.

O manejo da sombra também desempenha um papel crucial. A Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia destaca que densidades mais baixas resultam em maior produção. Por exemplo, em quatro colheitas, uma planta cultivada em densidade de 5 mil plantas/ha produz 0,99 kg de café em pergaminho seco, enquanto em 10 mil plantas/ha, a produção é de 0,54 kg.

Como calcular o volume anual de produção do cafeeiro?

Na região sul da Colômbia, especificamente em Huíla – que fica a 1900m acima do nível do mar, variedades como Castillo, Tabi e Caturra prosperam. Rodrigo Cortés, CEO da Café Finca Los Andes, destaca a importância do monitoramento da FNC em “fazendas representativas”, registrando eventos de floração. Essa informação é contrastada com fatores climáticos, como o fenômeno La Niña, e relatórios meteorológicos durante o inverno. Rodrigo salienta que invernos rigorosos podem prejudicar as colheitas, e o verão, entre dezembro e fevereiro, é crucial para garantir uma floração ideal. Os períodos de floração e colheitas variam conforme a localização e a altitude.

Edwin Noreña, engenheiro-agrônomo, provador certificado e cafeicultor de quarta geração no eixo central cafeeiro colombiano, destaca que a FNC acompanha eventos de floração para prever as colheitas na região. Ele enfatiza a complexidade da tarefa, exigindo treinamento para analisar o estado fisiológico das lavouras com base em vários critérios e interpretar dados para orientações técnicas precisas.

Que ferramentas podem usar os produtores?

No cálculo da produção anual uma plantação, a avaliação visual do estado do cafezal e dos fatores ambientais é crucial. Isso inclui análises de temperatura, precipitação, radiação solar, umidade, vento, altitude e latitude. Em seguida, por meio de percursos de amostragem aleatória (em formato de cruz ou zig zag), avaliam-se as árvores com base nos sulcos totais do terreno. A seleção se dá pelo ramo com o maior número de botões florais em pré-antese de cada pé de café, estimado visualmente pela contagem do número de ramos com flores no mesmo estágio.

Com esses dados em mãos, há a realização de cálculos matemáticos para determinar a proporção de árvores floridas, o número total de flores e a porcentagem de floração. Isso conduz à projeção da quantidade de café cereja a ser colhido, embora o processo nem sempre seja fácil de replicar. Edwin destaca a complexidade da contagem de flores, especialmente ao considerar a idade da plantação. O plano de renovação do cafezal, correspondendo a 20% anual da área total, também precisa ser considerado, seja por meio de novos plantios ou podas.

Como as condições da fazenda impactam na produção anual de cada cafeeiro?

O clima, especialmente durante o inverno e as oscilações do sul (ENSO), como El Niño e La Niña, desempenha um papel vital na produção de café. Esses eventos podem resultar em períodos de alta precipitação e baixa exposição solar.

A altitude também é um fator crucial. Rodrigo destaca que, em geral, altitudes mais elevadas tendem a ter menor volume de produção, embora ofereçam vantagens como de menor incidência de pragas e doenças, entre elas a ferrugem e a broca, sem abordar a qualidade.

A luz regula o comportamento produtivo das plantas, afetando processos como fotossíntese, fotorrespiração, respiração, transpiração e abertura estomática. Em linhas gerais, uma maior exposição à luz está diretamente relacionada a um incremento produção.

Isso muda de acordo com varietais ou país produtor?

Centros de pesquisa em diversos países dedicam-se ao desenvolvimento de variedades e híbridos adaptados às condições específicas de diferentes regiões, buscando otimizar a produção local.  Houve ainda o estabelecimento de sistemas de monitoramento por zonas, baseados em dados históricos e médias anuais, para avaliar a produtividade. Mas apesar desses avanços, é crucial destacar que o monitoramento não substitui a observação direta das florações, pois os dados contrastam com projeções, aprimorando a precisão das previsões.

Edwin explica que a FNC mantém um cadastro de cafeicultores e gerencia um modelo de georreferenciamento, permitindo dados históricos e facilitando a estimativa de esquemas de renovação e planos de assistência técnica por engenheiros. Enquanto em Honduras a estimativa de colheita é baseada na carga frutífera da planta, com critérios específicos, como sete nós produtivos por ramo e onze frutos por cada nó. Outro indicador essencial é o número de frutos por libra, visando alcançar aproximadamente 205 cerejas, com uma média mínima de produtividade por planta de 5,5 libras (2,49 kg).

Estimativas da produção anual média de café por árvore

Ao nível das fazendas, Edwin destaca que poucos produtores utilizam o sistema de contabilização. São cafeicultores maiores que o adotam, devido à exigência de formação técnica e outros requisitos. Em contrapartida, Rodrigo explica que cerca de 90% dos cafeicultores menores (com menos de 5ha) usam um método visual, categorizando a colheita em três faixas, sendo a boa acima de 8 mil kg/ha, entre 7 e 4 mil a regular e em torno de 2 mil a ruim.

Edwin aponta que uma colheita ótima deve ultrapassar 1,7 kg/c.p.s./planta. Atualmente, a média na Colômbia está em 1,2 kg/c.p.s./planta, com densidades de aproximadamente 5500 árvores/ha. Segundo ele, uma colheita ótima deve superar os 1,7 kg/c.p.s./planta. Atualmente, a média na Colômbia está em 1,2 kg/c.p.s./planta e em densidade média de 5500 árvores/ha. A título de comparação, em Honduras estipulou-se o rendimento mínimo necessário para garantir a viabilidade econômica de um cafezal em 1 kg de café torrado por planta.

Ambos os entrevistados concordam que tanto as previsões baseadas na floração pela FNC quanto as avaliações visuais empíricas alcançam índices de precisão superiores a 90%. A importância da projeção produtiva torna-se evidente, moldando o planejamento em diferentes níveis e desempenhando um papel vital na redução da incerteza nas decisões estratégicas.

O sucesso de uma estimativa ao nível da fazenda antecipa necessidades de investimento e insumos. E além disso estabelece uma relação custo-benefício que se torna um marco histórico. Em termos nacionais, isso simplifica a identificação de áreas que necessitam de suporte, contribuindo para o desenvolvimento de novas tecnologias que impulsionem os territórios cafeeiros.

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Créditos das imagens: Francisco Enríquez, Arnold Paz.

PDG Espanhol

Traduzido por Ana Mercedes Fernández

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