Armazenamento de Café Verde https://perfectdailygrind.com/pt/category/armazenamento-de-cafe-verde/ Revista digital sobre café, da fazenda à xícara Mon, 29 Jan 2024 19:04:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://perfectdailygrind.com/pt/wp-content/uploads/sites/5/2020/02/cropped-pdgbr-icon-32x32.png Armazenamento de Café Verde https://perfectdailygrind.com/pt/category/armazenamento-de-cafe-verde/ 32 32 Qual é o prazo de validade do café verde? https://perfectdailygrind.com/pt/2024/02/09/prazo-de-validade-cafe-verde/ Fri, 09 Feb 2024 11:03:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=13853 Como qualquer outro produto agrícola ou alimentar, o café verde tem prazo de validade. É o tempo que ele pode ficar em um nível ideal de frescor antes que a qualidade comece a se deteriorar. A forma como o café verde é armazenado é importante para a qualidade da bebida e um bom armazenamento faz […]

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Como qualquer outro produto agrícola ou alimentar, o café verde tem prazo de validade. É o tempo que ele pode ficar em um nível ideal de frescor antes que a qualidade comece a se deteriorar. A forma como o café verde é armazenado é importante para a qualidade da bebida e um bom armazenamento faz com que o grão permaneça fresco. Sendo assim, isso é algo que os torrefadores de cafés especiais levam muito a sério com o intuito de preservar o perfil de sabores, assim como os produtores e comerciantes. 

No entanto, o armazenamento inadequado e a embalagem inadequada podem fazer com que a qualidade da xícara “morra” e resulte em um perfil sensorial fraco na bebida. Para saber mais sobre o frescor e o prazo de validade do café verde, o quão importante é o armazenamento e como você pode manter seus grãos verdes mais frescos por mais tempo, conversei com alguns especialistas do setor. Descubra o que eles disseram abaixo. 

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embalagens ecotact são apropriadas para prolongar o prazo de validade do café verde

QUAIS FATORES AFETAM O PRAZO DE VALIDADE E A QUALIDADE DO CAFÉ VERDE?

Antes de analisarmos o prazo de validade do café verde, vamos entender alguns dos diferentes fatores que afetam sua qualidade. Esses grãos são suscetíveis a uma série de fatores durante o transporte e o armazenamento. No entanto, no que diz respeito aos sabores envelhecidos, a umidade, a temperatura e o oxigênio são as três variáveis mais importantes. Vamos dar uma olhada em como eles afetam o sabor do café verde ao longo do tempo.

Temperatura

A exposição a temperaturas extremas afeta a atividade da água no café verde. Isso causa condensação no saco e na superfície. Como consequência, os aromas e sabores mais sutis se deterioram. Os extremos de temperatura também afetam o processo de respiração e mudam como a água interna no café verde se comporta. Isso significa que, se os grãos não forem armazenados em um ambiente razoavelmente fresco, seu sabor se degradará ao longo do tempo.

Umidade

Assim como a temperatura, a umidade pode afetar o equilíbrio do  café verde. Se o ar estiver muito seco, os grãos podem ficar ressecados. Por outro lado, se estiver muito úmido, eles absorvem o excesso de umidade. E nesse caso, o efeito pode ser a formação de mofo.

Oxigênio

Além dos danos causados pela umidade da exposição à temperatura e/ou umidade extremas, o oxigênio também é um fator que faz com que o frescor do café verde diminua. À medida que o café oxida ao longo do tempo, seus compostos aromáticos se dissipame sabores indesejáveis se formam.

Luminosidade

Assim como acontece com o café torrado, a luz concentrada fará com que os grãos de café verde passem por um processo chamado “fotodegradação”. É aqui que os fótons lentamente destroem partículas orgânicas ao longo do tempo, incluindo os compostos não voláteis que contribuem para o perfil final de sabores da bebida.

Tempo

Mesmo que o café verde seja menos volátil do que o café torrado, o tempo ainda é um fator que faz com que sua qualidade diminua. Na verdade, com o tempo, é provável que a exposição dos grãos aos fatores citados anteriormente aumente e isso faz com que seus efeitos sejam exacerbados. Em essência, o tempo não é um problema, mas ao longo de um período suficiente, oxigênio, umidade e temperatura farão com que o café verde perca seus aromas mais sutis e delicados. Estender o prazo de validade do café verde é onde as boas práticas de armazenamento entram.

Sacas de café empilhadas em armazém

QUAL É, ENTÃO, O PRAZO DE VALIDADE DO CAFÉ VERDE?

Como regra geral, a maioria dos torrefadores de cafés especiais considera o café verde fresco no prazo de seis a 12 meses. Além disso, quando um ano se passou e a próxima colheita chega à torrefação, o café é considerado de “safra antiga” – um rótulo geralmente associado a notas de cereais indesejáveis ou de sabor envelhecido.

Ahmed Mahyoub é o chefe de operações da Usina Mocha no Iêmen. Ele diz: “O prazo geralmente aceitável para o café verde ser considerado fresco é de um ano a partir do momento em que é processado e enviado, desde que seja embalado em embalagens herméticas. A exposição ao calor, luz, umidade, insetos e ar são os fatores que mais contribuem para a degradação do café verde.”

O frescor, no entanto, varia dependendo do café em questão. “Diferentes variedades são afetadas de forma diferente”, diz Ahmed. “Algumas variedades certamente se tornam obsoletas e planas em um período mais curto do que outras Esta ainda é uma área em pesquisa, assim como a relação entre frescor, qualidade e método de processamento.”

Soluções para prolongar o prazo de validade

Mike Mamo é o Diretor Administrativo da Addis Exporter na Etiópia e proprietário da estação de lavagem de Telila na região de Jimma, na Etiópia. Ele explica que a fermentação que ocorre durante o processamento faz com que sabores específicos e únicos se desenvolvam. Nos últimos anos, este tem sido um foco da indústria de café especial, com muitos métodos de processamento experimentais emergindo. Sendo assiml, Mike explica que está se tornando cada vez mais importante usar embalagens de alta qualidade o mais cedo possível no processo. 

“Os sacos herméticos da ecotact são ideais como solução de armazenamento para prolongar o prazo de validade do café verde”, diz Mike. “Usamos os sacos Ecotact 80 para armazenar pergaminho, café verde e para processamento anaeróbico. Eles não apenas ajudam a garantir a qualidade, mas também garantem que não precisamos nos preocupar com a explosão deles no caminho para o destino. Os sacos são robustos. Acreditamos que eles sejam uma ótima solução para áreas onde os armazéns podem não ser tão adequados para o café verde.”

Mão segurando uma porção de grãos de café verde, com um recipiente ao fundo e sobre uma saca com embalagem plástica da Ecotact, que prolonga o prazo de validade dos grãos.

COMO É O “GOSTO DE VELHO” NO CAFÉ VERDE?

Umidade, condensação, exposição a temperaturas extremas e oxidação fazem com que vários sabores surjam na xícara final. Estas notas, que são frequentemente descritas como rançosas e insossas, incluem:

  • cereais/semelhantes a grãos;
  • de guardado (incorpora o sabor dos sacos de juta);
  • madeira;
  • papelão;
  • papel;
  • mofo;
  • palha/feno.
Embalagem plástica Ecotact, apropriada para prolongar o prazo de validade do café verde

COMO ARMAZENAR CORRETAMENTE O CAFÉ VERDE?

Como parte de seu Programa de Melhoria da Qualidade do Café (CQP), a Organização Internacional do Café (OIC) recomenda que, a partir do momento em que é processado e pronto para ser enviado, o nível de umidade do café verde deve ficar entre 8% e 12,5%. Da mesma forma, a atividade da água deve permanecer entre 0,5% a 0,7% aw, conforme os protocolos de segurança alimentar.

Como regra geral, os torrefadores de cafés especiais procuram níveis de umidade em torno de 12%. Para garantir isso, a umidade deve estar em torno de 60% a 65% durante o armazenamento e a temperatura deve permanecer em torno de 20°C (+/- 5°C). No entanto, garantir que essas condições sejam mais fáceis de dizer do que de fazer e, como tal, produtores e comerciantes estão cada vez mais usando embalagens de barreira hermética.

Soluções em embalagens para prolongar o prazo de validade do café verde

“Enfim, o armazenamento é de grande importância. É algo que afeta diretamente o frescor dos grãos de café verde, e deve ser ótimo para manter o café completamente longe do calor, umidade e ar. Para conseguir isso, muitos estão agora combinando sacos herméticos internos, como os produtos Ecotact, com sacos externos, enquanto anteriormente se limitavam apenas à juta. Mais empresas de café estão agora embalando café em paletes e no escuro para maximizar o sabor e o frescor”, diz Ahmed.

Karishma Sharma é a CMO e diretora de estratégia de negócios da Ecotact. Ela explica que esses requisitos informaram como eles projetaram seus sacos. “Os sacos Ecotact são embalagens herméticas especialmente projetadas, desenvolvidas especialmente para prolongar o prazo de validade do café verde. Os sacos possuem nove camadas de proteção hermética de grau alimentício que ajudam o conteúdo a manter seus atributos. Eles também são 100% reutilizáveis e recicláveis.”

Os sacos ajudam a preservar o frescor e as propriedades do café verde, mantendo o perfil da xícara intacto e cortando oxigênio atmosférico, odores e contaminantes externos, de acordo com Karishma. Ela acrescenta que, embora os torrefadores considerem que o café se tornou “safra passada” após 12 meses, o prazo de validade do café verde em um saco Ecotact é de “mais de um ano”.

Pessoa segurando uma concha com uma porção de grãos recém-torrados de café

E-COMMERCE, O FUTURO DO ARMAZENAMENTO DE CAFÉ VERDE

A ascensão do comércio eletrônico nas áreas B2B e B2C na indústria do café é notável. Talvez o maior passo em sua evolução ocorreu em resposta à pandemia da Covid-19 e as milhões de pessoas forçadas a trabalhar em casa. À medida que as pessoas tentavam cada vez mais replicar bebidas com qualidade de cafeterias em casa, o comércio eletrônico cresceu no setor. 

Karishma explica que o mesmo aconteceu para as empresas que procuram armazenar café verde. “A crescente demanda por embalagens herméticas e problemas recentes de envio (através da Covid-19 e além) levou à necessidade de pensar de forma diferente”, diz ela. O comércio eletrônico permite que as empresas sejam mais flexíveis, o que é mais importante do que nunca, num momento em que os prazos de envio do café verde são imprevisíveis.

Melhorando a experiência do cliente

Karishma diz ainda que a Ecotact procurou melhorar os tempos de resposta e o atendimento ao cliente lançando uma nova plataforma de e-commerce. Ela conta que os clientes podem fazer pedidos selecionando a capacidade da embalagem e o envio. Após o pagamento, eles recebem a fatura por e-mail e o envio acontece em até 48 horas. “Também ativamos um bate-papo e uma conta comercial do WhatsApp para ajudar os clientes em cada etapa de sua jornada de compra”, ela conclui.

Pessoa despejando grãos de café verde de um recipiente metálico

Como os profissionais especializados em café continuam a priorizar o frescor para garantir a melhor qualidade possível da xícara, a embalagem hermética continua a ser uma opção importante por prolongarem o prazo de validade dos grãos. 

Como parte disso, no entanto, estamos vendo o crescimento do comércio eletrônico na indústria do café se espalhar para o armazenamento de café verde, tornando-o mais flexível e acessível para todos.

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Créditos das fotos: Ecotact

Observação: A Ecotact é patrocinadora do Perfect Daily Grind. 

Tradução: Daniela Melfi.

PDG Brasil

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Como minimizar o impacto ambiental ao armazenar café verde? https://perfectdailygrind.com/pt/2024/02/07/impacto-ambiental-armazenagem-cafe/ Wed, 07 Feb 2024 11:04:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=13844 Há uma série de fatores a considerar ao armazenar o café verde. Compreensivelmente, preservar o frescor é um dos mais importantes, já que os grãos verdes são particularmente sensíveis a fatores externos – incluindo temperatura e umidade. Manter o frescor é essencial, mas minimizar o impacto ambiental na armazenagem também é crucial – especialmente à […]

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Há uma série de fatores a considerar ao armazenar o café verde. Compreensivelmente, preservar o frescor é um dos mais importantes, já que os grãos verdes são particularmente sensíveis a fatores externos – incluindo temperatura e umidade. Manter o frescor é essencial, mas minimizar o impacto ambiental na armazenagem também é crucial – especialmente à medida que a demanda por um café mais sustentável cresce.

Então, como os compradores e comerciantes de café verde podem gerir seu estoque adequadamente ao mesmo tempo em que se mantêm sustentáveis? Para descobrir, conversei com três profissionais de café que trabalham com a Fibtex, empresa que produz e distribui embalagens de café na Colômbia e no Peru. Continue lendo para descobrir o que eles disseram.

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Armazém de café -- impacto ambiental na armazenagem

ENTENDENDO O IMPACTO AMBIENTAL NA ARMAZENAGEM DE CAFÉ

A embalagem e o armazenamento adequado desempenham um papel fundamental na preservação do frescor do café verde. Quando o café verde é enviado, é geralmente embalado em sacos amarrados em pallets de madeira. Isso ajuda a criar um meio mais eficiente de transporte.

Juta e fibra têxtil

Sacos de juta e fibra têxtil (ou sacos) são as formas mais tradicionais de embalagem para o café verde. Esses materiais vegetais são totalmente biodegradáveis, tornando-os uma opção ecológica para embalagens de café verde.

María Patricia Berrío Romero é diretora de sustentabilidade da Fibtex, empresa que distribui embalagens herméticas de alta barreira da GrainPro na Colômbia e no Peru. A empresa também é representante comercial da Pinhalense e da Carmomaq e fabricante de suas próprias “big bags” SUMMA 100% recicláveis e reutilizáveis. Ela me diz que, embora a juta e a permanência sejam tecnicamente biodegradáveis, isso depende em grande parte de como o material é descartado.

“Se esses sacos forem para aterro sanitário, é difícil para eles biodegradarem corretamente”, explica. Isso ocorre porque as condições de aterro geralmente carecem de níveis ideais de luz solar e oxigênio, o que significa que pode ser difícil ou impossível descartar corretamente materiais biodegradáveis.

Além disso, como esses materiais são permeáveis, muitas vezes não são a melhor opção para o máximo de frescor. “Embora esses sacos sejam projetados para proteger o café, os grãos podem ficar rapidamente contaminados se eles forem armazenados de forma inadequada”, diz ela. “As fibras naturais aumentam o risco de contaminação por odores que podem afetar negativamente as características organolépticas do café.”

Sacos plásticos tradicionais

Para combater esses problemas, os exportadores geralmente incluem outra camada de material dentro de sacos de juta e fibra têxtil como precaução extra. Estes podem ser forros de transporte de plástico padrão ou sacos GrainPro, por exemplo. Os sacos GrainPro, em particular, são populares porque podem ser hermeticamente selados. Isso efetivamente cria uma barreira hermética que protege o café verde de fatores externos, como umidade e calor, além de evitar a oxidação.

Além disso, se esses sacos são usados em conjunto com sacos maiores em vez de sacos de juta ou fibra têxtil, eles mantêm mais café. Sacos de café padrão podem conter entre 60 kg e 70 kg de café, enquanto sacos de plástico grandes e forros podem caber em qualquer lugar entre 1  tonelada e 20 toneladas de grãos verdes.

No entanto, o aumento do uso de plástico significa que se produz mais resíduos de uso único a partir de embalagens de café verde. “Quando o café chega ao seu destino, geralmente há o descarte dos sacos GrainPro”, diz María Patricia. “Geralmente não há o reuso ou a reciclagem desses materiais, então são incinerados ou acabam em aterro sanitário, o que significa que levam anos para se decompor”, acrescenta.

Sergio Campuzano Diaz é o Gerente Geral da Fibtex. “Os plásticos são feitos de uma mistura de diferentes resinas, sendo difícil decompô-los e descartar os materiais corretamente – especialmente em locais onde existem modelos de economia circular menos estabelecidos”, diz.

Mão em uma porção de grãos verdes de café

REDUZINDO O IMPACTO AMBIENTAL NA ARMAZENAGEM

Agora, mais do que nunca, há uma demanda crescente por café produzido de forma sustentável. E cada vez mais torrefadores estão usando materiais recicláveis, biodegradáveis e compostáveis em suas embalagens de café de varejo, bem como usando copos mais recicláveis ou reutilizáveis de café para viagem. Além disso, práticas mais sustentáveis estão sendo implementadas em fazendas de café, ajudando a reduzir as emissões gerais de carbono na cadeia de suprimentos.

Como resultado, minimizar a pegada de cabono do armazenamento de café verde – enquanto ainda se concentra na preservação do frescor – está se tornando um tópico-chave. Em última análise, isso significa que os comerciantes e compradores de café verde estão se concentrando em encontrar opções de embalagens sustentáveis.

“A embalagem da Fibtex usa resinas 100% recicláveis em sua fabricação”, diz María Patricia. “Distribuímos embalagens de polietileno GrainPro, bem como nossa própria linha de polipropileno SUMMA reciclável e reutilizável, que inclui sacos grandes e embalagens de contêiner a granel. Trabalhamos em estreita colaboração com nossos aliados e outras partes interessadas para processar e reciclar o plástico.”

A questão do carbono

Além disso, María Patricia explica que a Fibtex pratica a compensação de carbono. Ela explica que isso faz parte da “abordagem holística e focada em soluções” da Fibtex, que está comprometida em preservar a qualidade e o meio ambiente. Para equilibrar suas emissões de carbono, a empresa também executa uma iniciativa de restauração regenerativa ecológica que planta árvores nativas na reserva natural de El Amparo, localizada na região das Planícies Orientais da Colômbia.

O uso de embalagens mais reutilizáveis e recicláveis tornou-se um pouco essencial como parte do impulso para que as empresas de café se tornem  neutras em carbono. María Patricia e Sergio me dizem que a Fibtex está em processo de atingir emissões “net zero” e receber a certificação B Corp. B Corps são empresas que se consideram que satisfazem elevados padrões de responsabilidade social e ambiental.

María Patricia também destaca que preservar a qualidade do café é vital do ponto de vista da sustentabilidade, pois os dois fatores estão interligados. Portanto, usar embalagens que promovam uma transformação mais sustentável é fundamental. “A embalagem da Fibtex garante as condições ideais para proteger o café de fatores externos, como umidade, temperatura e oxigênio, além de mitigar a presença de pragas e mofo”, diz.

Sacas de café ao fundo e embalagens plásticas GrainPro à frente -- impacto ambiental na armazanagem

É POSSÍVEL NEUTRALIZAR O USO DE PLÁSTICOS NA ARMAZENAGEM DE CAFÉ?

Os materiais de uso único tornaram-se um tema importante de debate em muitas indústrias, incluindo o setor do café. O afastamento dos plásticos descartáveis é ainda mais intenso por uma série de proibições iminentes sobre esses tipos de materiais, incluindo no Reino Unido e na Europa.

Sergio me fala sobre como a Fibtex utiliza uma abordagem de economia circular ao longo de seu processo de fabricação, ajudando a reduzir os níveis de resíduos plásticos produzidos.

“Nós adotamos um modelo de economia circular para reutilizar e reciclar os resíduos plásticos que produzimos”, diz ele. “Isso significa que usamos menos materiais ‘virgens’, bem como menos recursos naturais, durante a fabricação desses materiais. “Fazemos nossas soluções de embalagem em polietileno de baixa densidade (PEBD) e polipropileno (PP), ambos 100% recicláveis e reutilizáveis”, acrescenta Sérgio.

Por meio de seu próprio programa dedicado a Fibtex coleta resíduos plásticos de empresas na Colômbia e no Peru, que incluem sacos e fibras de PP e LDPE. Os resíduos de plástico são então reciclados em péletes, que podem ser usados de várias maneiras diferentes. No futuro, o objetivo é criar embalagens neutras em plástico a partir desses materiais.

Medindo a pegada de carbono

Carlos Felipe Torres Triana é o coordenador de projetos da Clima Soluciones, uma empresa colombiana que mede a pegada de carbono de empresas que buscam ser mais sustentáveis. Ele diz que a Fibtex trabalha com a Clima Soluciones para medir a pegada de cabono através do aplicativo CarbonBox. “O aplicativo pode mostrar às empresas como otimizar processos para melhorar seus rastros de carbono, bem como rastrear suas compensações voluntárias de carbono”, afirma.

A compensação e a inserção de carbono se tornaram, compreensivelmente, conceitos mais prevalentes na cadeia de fornecimento de café nos últimos anos. Essencialmente, as empresas podem investir em suas cadeias de suprimentos ou em outras para reduzir sua pegada de carbono – mesmo que seja em outro lugar do setor.

María Patricia explica haver uma série de outras maneiras pelas quais a Fibtex gerencia suas emissões de carbono. “Em um esforço para atingir o zero líquido, tomamos a decisão ativa de fazer parcerias onde pudermos com empresas neutras em carbono”, diz ela. “Trabalhamos com empresas que têm uma visão que se alinha com a nossa. Isso significa que, sempre que possível, se formos viajar, viajaremos de uma forma que minimize o impacto ambiental.”

Iniciativas ambientais

Uma das maneiras mais comuns de fazer isso é por meio de iniciativas ambientais. O trabalho da Fibtex na Reserva Natural El Amparo, na Colômbia, é um grande exemplo disso, mas María Patricia explica que esse projeto de restauração está inerentemente ligado ao plástico fornecido por outras empresas. 

“Se um de nossos aliados nos der resíduos plásticos, plantamos 40 árvores por tonelada”, explica. “Quando eles compram nossos sacos, plantamos 25 árvores por tonelada. Isso os ajuda a gerenciar suas emissões de carbono, bem como equilibrar as nossas em um esforço para atingir a neutralidade.” María Patricia conclui explicando que a Fibtex opera de acordo com três pilares principais: cultura sustentável, foco na economia dos plásticos e na eliminação responsável e um programa de restauração mais amplo.”

Grãos verdes de café sendo despejados num recipiente metálico

Não há dúvida de que a demanda por café sustentável continuará a crescer no futuro. Isso significa que é agora  mais importante do que nunca para as empresas de café criar uma estratégia para reduzir suas emissões.

No entanto, isso não significa que se deva sacrificar a qualidade, especialmente quando se trata de soluções de armazenamento de café verde. Ao optar por materiais de alta barreira mais sustentáveis, os comerciantes e produtores podem manter a frescura, enquanto mantêm o impacto ambiental ao mínimo.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre como você deve armazenar pequenas quantidades de café verde.

Créditos das fotos: Fibtex

Tradução: Daniela Melfi. 

PDG Brasil

Observação: a Fibtex é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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O que é a reidratação do café verde e como ela pode ajudar os torrefadores? https://perfectdailygrind.com/pt/2023/10/30/reidratacao-do-cafe/ Mon, 30 Oct 2023 11:01:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=13430 Conforme a Organização Internacional do Café (OIC), o teor de umidade ideal para o café verde deve estar entre 8% e 12,5%. Isso garante que os torrefadores possam conseguir os melhores resultados, além de permitir que os clientes experimentem todo o espectro de sabor e aroma dos cafés. Como regra geral, durante o trânsito e […]

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Conforme a Organização Internacional do Café (OIC), o teor de umidade ideal para o café verde deve estar entre 8% e 12,5%. Isso garante que os torrefadores possam conseguir os melhores resultados, além de permitir que os clientes experimentem todo o espectro de sabor e aroma dos cafés.

Como regra geral, durante o trânsito e armazenamento, deve haver o mínimo de exposição à umidade possível para proteger a integridade do café verde. No entanto, se embalados ou armazenados incorretamente, os níveis de umidade podem flutuar – o que significa efetivamente que a qualidade pode declinar. Os grãos de café também podem ficar estagnados e envelhecer mais rapidamente.

Para resolver esses problemas, um pequeno número de profissionais do setor começou a experimentar a reidratação do café verde. Essencialmente, essa prática aumenta o teor de umidade dos grãos de café verde para ficar dentro da faixa ideal – ou até acima. Então, como essa técnica pode beneficiar os torrefadores? Para descobrir, falei com Diane Rafla e Christopher Feran. Continue lendo para saber mais.

Você também pode gostar do nosso artigo sobre a frequência com que os torrefadores de cafés especiais devem promover a rotatividade nos estoques de café verde.

Grãos de café secando em pátio

Que fatores afetam o teor de umidade do café verde?

A maioria dos profissionais da indústria concorda que, quando armazenado e embalado corretamente, o café verde pode permanecer fresco entre seis meses e um ano após a colheita. Você também deve armazenar os grãos em condições secas e frias, com pouca exposição à luz solar. No entanto, se expostos de forma prolongada ao tempo, os níveis de umidade no café verde podem mudar. Isso significa que a qualidade e o frescor cairão.

A temperatura é uma das variáveis que mais afetam o café verde, pois a exposição a flutuações significativas de temperatura afetará a atividade da água dentro dos grãos. Isso faz com que a condensação se forme na embalagem, o que cria um ambiente úmido. Os extremos de temperatura também afetam o processo de respiração, o que pode mudar o comportamento da água no interior de cada grão.

A umidade do ambiente é outro fator-chave. Se o ar ao redor estiver muito seco, a umidade do café verde pode ser absorvida pelo ar seco ao redor– o que significa que os grãos podem envelhecer mais rapidamente. Por outro lado, se o ar estiver muito úmido, os grãos podem absorver essa umidade. Isso pode resultar na formação de mofo ou bolor e pode até causar grãos defeituosos – o que reduz consideravelmente a qualidade do café.

Embora o tempo em si não faça com que a qualidade e o frescor do café verde se degradem, ele pode ser usado como uma medida como a temperatura e a umidade – bem como o oxigênio e a luz – impactam a qualidade. Durante um longo período, essas variáveis farão com que o café verde perca seus sabores e aromas.

grãos de café que passaram por reidratação na palma das mãos de um profissional

Por que reidratar o café verde?

Para se manter o mais fresco possível, o café verde precisa ter o nível ideal de umidade. A exposição prolongada a flutuações de temperatura, umidade, oxidação e luz fará com que uma série de sabores e aromas desagradáveis se desenvolvam, como:

  • madeira;
  • papel / papelão;
  • cereais/grãos semelhantes;
  • de guardado (incorpora sabores da juta onde os grãos estavam armazenados);
  • mofo;
  • palha ou feno.

Com o nível certo de umidade, o café será torrado de forma mais uniforme. Além disso, é teoricamente mais fácil para os torrefadores obterem o perfil de torra correto, e o próprio processo usará a energia de forma mais eficiente. Isso ocorre porque a umidade dentro dos grãos ajuda a transferir o calor de forma mais uniforme. 

Christopher Feran é consultor independente de café e especialista do setor. De acordo com ele, há algo transcendente no café fresco e de alta umidade  (em termos de sabor e qualidade). “Cerca de 90% do café que compro é “estável”, mas o café com alta umidade é bastante volúvel”, diz.

“No entanto, níveis baixos de umidade também são problemáticos para os torrefadores”, acrescenta. “Associamos isso ao café com sabor insosso, menos complexo e com sabor de grãos. Isso se deve à pressão de vapor reduzida dentro dos grãos, bem como às taxas mais baixas de reações de Maillard,que exigem um certo nível de umidade.

“O café verde antigo também contém menos água, o que significa que é mais difícil de torrar. Isso pode resultar em perfis de torra irregulares, ou até mesmo grãos queimados.

Expedição e transporte

Durante o transporte, o café verde precisa permanecer fresco pelo maior tempo possível. No entanto, os torradores podem levar semanas para receberem seu café verde, já que a maioria do café é transportada por longas distâncias em navios de carga. Por sua vez, é possível que o café verde perca parte de seu nível de umidade durante esse período. Portanto, é interessante que os torrefadores possam restabelecer os níveis de umidade.

Christopher, no entanto, ressalta que o armazenamento adequado durante o transporte é o primeiro passo para mitigar a perda de umidade. “Se o café verde for armazenado em sacos GrainPro ou outros com revestimento semelhante, ele não perderá muita umidade. Muitos torrefadores ficam surpresos quando medem os níveis de umidade de um café antigo e descobrem que ele não está mais seco do que quando chegou”, diz.

“O desbotamento é um fenômeno complexo, mas é geralmente o resultado da oxidação lipídica”, acrescenta. “A umidade desempenha um papel nisso, mas o mesmo acontece com a exposição ao calor e ao oxigênio.”

Pessoa retirando amostras de café de um balde onde passava por um processo de reidratação

Considerações ao reidratar café

Embora a prática ainda esteja muito no início, a maneira mais comum de reidratar o café verde é mergulhar os grãos em água limpa com baixo teor de minerais como cálcio ou magnésio, em recipientes higienizados.

Usando esta técnica, os grãos de café ficam completamente cobertos por água e completamente misturados para garantir uma saturação uniforme e completa. O tempo total de reidratação também dependerá da idade dos grãos, então você geralmente precisa mergulhar o café mais antigo por mais tempo.

Christopher, por sua vez, usa um método de reidratação diferente que envolve a mistura de uma quantidade cuidadosamente calculada de água com grãos de café verde. “Eu recomendo reidratar o café verde durante 8 a 20 horas para permitir que ele absorva um pouco da água. Mais de 20 horas, aumenta a chance de crescimento do mofo”, diz. A maioria dos torrefadores que experimentaram esta técnica visa um nível de umidade entre 12% e 16%. 

Sendo assim, também é importante enfatizar que o café verde pode conter muita umidade. Antes de tentar qualquer tipo de técnica de reidratação, é crucial entender o nível ideal de umidade para o café verde que você está usando – caso contrário, os grãos podem absorver água demais.

No entanto, Christopher diz que medir os níveis de umidade com precisão pode ser difícil. “Na maioria das vezes, as flutuações no teor de umidade são devidas à estabilização. Os medidores de umidade medem apenas a atividade na superfície dos grãos, portanto, se o café for seco rapidamente, apenas a superfície dos grãos terá o nível ideal de umidade. Uma vez que o café descanse e se estabilize, ele atingirá um nível mais alto de umidade porque a água dentro dos grãos foi redistribuída”, explica.

Torra do café após a reidratação

Outro fator importante a considerar é quanto tempo você precisa esperar antes de torrar o café reidratado. A maioria dos torrefadores que usam essas técnicas recomenda esperar não mais do que 24 horas, mas isso depende de cada café, pois você pode precisar torrar um pouco antes disso.

Os torrefadores também precisam saber como o processo de reidratação afetará o perfil de sabor do café. “Na minha experiência, o café reidratado é mais intenso, com acidez mais persistente”, diz Christopher.

Reidratação de cafés envelhecidos intencionalmente

Quando falamos de envelhecimento do café, geralmente associamos isso a qualidades indesejáveis. No entanto, existem várias técnicas de processamento que dependem do envelhecimento para alterar ou melhorar sabores e aromas, como o processamento do Monsoon Malabar. Mais recentemente, vimos a prática do envelhecimento em barril ganhar alguma força, o que pode resultar em sabores mais frutados e “originais”.

Diane Rafla é proprietária da Contrebande Bean, uma micro torrefadora em Brax, França. Ela explica como usou barris que anteriormente armazenavam Armagnac – um tipo distinto de conhaque produzido na região de Armagnac, no sudoeste da francês – para reidratar o café verde. 

“Eu envelheci o café verde em um barril que havia sido recentemente esvaziado e os grãos absorveram lentamente um pouco da umidade dele. Isso transferiu alguns sabores de Armagnac para o café. Este ano, torrei um pouco desse café e o resultado foi incrível. Eu também estaria interessada em ver como esse método de reidratação poderia afetar os grãos mais velhos”, diz.

Torrefador operando seu equipamento de torra

Enfrentando e superando desafios

De acordo com Christopher, existe o risco de crescimento de mofo sempre que se reidrata o café. Isso significa que controlar o maior número possível de variáveis é essencial – especialmente quando a atividade da água aumenta acima de 0,7 wa. Como o café verde é higroscópico (o que significa que absorve a umidade do ar), pode ser particularmente difícil manusear e armazenar grãos verdes reidratados corretamente. Se houver mofo, o café deve ser descartado imediatamente.

“A oxidação é outro risco”, diz Christopher. “Eu sempre incentivo as pessoas a torrar o café imediatamente após a reidratação ou a desidratar até um nível de umidade mais estável antes de torrar.” No entanto, desidratar ou secar o café reidratado também pode ser difícil, pois os grãos são mais vulneráveis a vários fatores ambientais, como oxigênio e temperatura.

Para reidratar o café verde antigo, também é improvável que você consiga atingir o nível original de vibração do sabor. “A reidratação também pode não ser escalável”, diz Diane. “Um investimento significativo pode ser necessário para realizar o processo com sucesso.”

Christopher, no entanto, acredita que é possível realizar o processo em maior escala. Para torrefadores com menos experiência, recomenda-se experimentar métodos de reidratação em pequenos lotes.

Sacas de café com grãos e uma colher para retirá-los da sacaria.

A prática de reidratar o café ainda é incipiente, portanto, é necessário mais experimentação para entender o impacto total dessas práticas na qualidade e no sabor do café.

Para torrefadores que podem e estão interessados em reidratar o café, seguir as melhores práticas atuais e as diretrizes recomendadas é crucial para obter os melhores resultados.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre como minimizar o impacto do armazenamento de café verde.

Tradução: Daniela Melfi. 

PDG Brasil.

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Como economizar e aumentar a eficiência no beneficiamento do café? https://perfectdailygrind.com/pt/2022/10/11/como-economizar-e-aumentar-a-eficiencia-no-beneficiamento-do-cafe/ Tue, 11 Oct 2022 08:00:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=10927 Uma das etapas mais significativas do gerenciamento das atividades de um cafezal é o período pós-colheita. O gerenciamento das atividades inclui a validação do planejamento e o investimento de gastos com insumos, mudas, maquinário, luz e água e força de mão de obra. Essa também é a etapa que exige maior investimento financeiro para o […]

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Uma das etapas mais significativas do gerenciamento das atividades de um cafezal é o período pós-colheita. O gerenciamento das atividades inclui a validação do planejamento e o investimento de gastos com insumos, mudas, maquinário, luz e água e força de mão de obra. Essa também é a etapa que exige maior investimento financeiro para o produtor.

O índice de rendimento da safra é avaliado de acordo com a programação feita na pré-colheita, o que equivale ao rendimento comercial da safra. A fase que se segue compreende limpeza, processamento e beneficiamento dos grãos, o que influi diretamente na qualidade que define o valor de venda e o montante de investimento disponível para a preparação do ciclo seguinte do cultivo.

Este artigo explora o quanto a etapa do benefício seco (lotes submetidos à secagem natural) bem feita é vital para otimizar os resultados, minimizar custos e aumentar a eficiência do tempo investido no pós-colheita. Siga lendo para conhecer mais sobre o tema. 

Você também pode gostar de ler Como reduzir os defeitos do café para obter mais qualidade?

limpeza do café

O cenário da safra 22/23

O segmento cafeeiro do Brasil passa por um momento de alerta quanto ao rendimento da safra de 2022. Há muita expectativa e apreensão sobre o resultado por conta da quebra de safra em 2021 devido à seca e às geadas. Muitos cafezais foram erradicados ou submetidos a podas de renovação. Segundo reportou a Cooxupé em junho de 2022, o clima desfavorável impactou o rendimento da safra deste ano, e a cooperativa (a maior do Brasil) projeta números de produtividade abaixo do esperado. No final de agosto, com 85% do café do país já colhido, a cooperativa já confirmava a quebra de safra.  

A preocupação quanto aos números de oferta derivados da safra 2022 do Brasil é internacional. No dia 29 de junho, foi reportado que o volume de estoques da ICE (Intercontinental Exchange), que opera o mercado de compra e venda do café commodity, atingiu a maior baixa desde o ano 2000.

A ação ideal do produtor nesse cenário é se concentrar em manter um trabalho ainda mais efetivo de gestão. Em tempos de instabilidade e volatilidade, o planejamento do ciclo de safra deve ser eficaz em todas as etapas, para que os produtores, principalmente os pequenos e médios, não se encontrem em risco de ter de arcar com gastos extraordinários ou negociar sacas abaixo do valor esperado, assim comprometendo o volume da renda prevista na comercialização do ciclo de colheita e do financiamento do próximo.

armazém pinhalense

O que é o beneficiamento do café?

O beneficiamento do café é o conjunto das operações empregadas após a colheita para converter o fruto (natural ou pergaminho) em grãos beneficiados e verdes, através de limpeza e eliminação de casca, polpa e impurezas de forma satisfatória aos padrões de qualidade exigidos pelo mercado. Após o beneficiamento, os lotes se tornam aptos a serem submetidos à classificação física por qualidade. 

Ao final dessas etapas, o café é denominado de “bica-corrida”, que é todo grão já beneficiado, mas ainda não classificado quanto à qualidade.

Saiba mais sobre o beneficiamento e a classificação dos Cafés no Brasil. 

A fase preparatória do beneficiamento do café

O sistema empregado no processamento dos grãos, seja por via seca (grãos de secagem natural, processados integralmente, com casca, polpa e mucilagem), ou via semi-úmida e úmida (semi-descascado, sem casca mas com mucilagem) e cereja descascada (grãos de cerejas sem mucilagem, só com a polpa), determina o teor das etapas do beneficiamento.

Os frutos do café, independentemente do método de processamento, são disponibilizados para a secagem depois da separação e lavagem das cerejas, feita imediatamente após a colheita, com o objetivo de descartar frutos inviáveis (brocados, secos) e impurezas (folhas, pedras, areia e terra). Essa é a chamada fase preparatória do beneficiamento do café.

A partir do momento em que os grãos foram pré-limpos de forma seca e lavados de impurezas de massa leve (paus, pedras, areia), as técnicas usadas nas etapas seguintes do beneficiamento – secagem e fermentação, controle de umidade e limpeza final – se tornam específicas para cada método, assim como o maquinário usado para os processos.

Os cafés de via seca demoram de duas a três semanas para secarem, enquanto os de via úmida levam de uma a duas. 

armazém café verde

As etapas da fase preparatória de beneficiamento do café

Limpeza 

Na pós-colheita, os grãos são submetidos à ação de máquinas de limpeza, como os catadores-de-pedra, as bicas-de-pedra (limpeza e transporte), catadores-de-torrões, de peneiras (não as mesmas do jogo usado para a classificação), ventiladores e outras.

A limpeza promove a extração de elementos de diferentes massas de impureza. A limpeza do café começa no cafezal, na chamada “pré-limpeza”: quanto mais eficaz for a colheita quanto à separação de impurezas, menos recursos se devem empregar na fase de limpeza  do beneficiamento. A separação das impurezas ainda presentes no café colhido, remanescentes da pré-limpeza feita no campo, auxilia na condução de uma operação de lavagem com separação bem-sucedida.

Para a limpeza, maquinários munidos de ventiladores eliminam impurezas com menor massa, como galhos, terra, folhas e afins. Já maquinários que cumprem a função de peneirar as impurezas são projetados para remover elementos de massa e de formatos pré-determinados. Existem muitos modelos de máquinas no mercado que cumprem tais funções, com ventiladores e peneiras embutidos, seja no mesmo maquinário ou em aparelhos separados.

Lavagem

Após essa etapa, se dá a lavagem para a separação dos frutos viáveis rumo à secagem, operação fundamental para garantir a qualidade do lote. A lavagem com água deve eliminar as impurezas restantes e separar os frutos a serem eliminados.

Por meio do volume de cada elemento separado se identifica quais atingem a qualidade buscada, segundo o “Manual de Colheita e Preparo”, da Emater/MG, publicado pela Embrapa Café.

Frutos verdes, verde-cana e maduros são mais pesados devido ao maior teor de umidade. Os chamados frutos boias – mal granados, brocados, passas e secos – são mais leves. 

“A operação de lavagem e separação pode ser feita por equipamentos de diversos portes e tipos de acionamento, cada qual adequado a uma escala de produção, com adaptações simples que podem minimizar o consumo de água”, ainda de acordo com o manual.

limpeza do café

Beneficiamento seco: a secagem de cafés naturais 

O beneficiamento seco é como o mercado se refere ao processo (manual, automatizado ou híbrido) de limpeza e descasque dos frutos processados por via seca, que é a forma de processamento dominante nos cafezais do Brasil.

Na secagem dos frutos do café no processo natural, as cerejas mantêm a casca, a polpa (a parte carnosa da fruta), e a mucilagem (película que envolve o grão e o separa da polpa), somente após o fim da secagem, passam pelo tratamento de separação e limpeza finais, para que reste apenas o grão.

Os fatores que influenciam as escolhas quanto às técnicas de manejo na fase da secagem de cafés naturais incluem a capacidade financeira para investimento tecnológico em maquinário e em mão de obra, e da escala de produtividade – quanto maior o número de produção, maior é a demanda de monitoramento de qualidade e espaço para a execução das etapas de beneficiamento. A secagem feita completamente em terreiros, por exemplo, demanda a disponibilidade de espaço. 

O tempo de obtenção da secagem satisfatória nesse método depende do tipo de estrutura usada e das condições climáticas – seja em terreiros suspensos ou não suspensos, como os cobertos ou em estufa; em pátio concretados ou não, feitos de tijolo ou asfalto.

Garantir a qualidade dos grãos durante a secagem depende significativamente do controle atento quanto à umidade, pois os frutos se danificam facilmente em altas temperaturas. 

Saiba mais sobre a importância do controle da umidade dos frutos durante a secagem do café no artigo “Um Guia para a Secagem do Café”, do PDG Brasil.

A estratégia de secagem usada por produtores de cafés naturais pode ser variada: os frutos podem ser pré-secos ao sol, e transferidos a secadores mecânicos, ou completamente secos ao sol. Tudo depende da realidade funcional do cafezal e da logística de negócios do produtor. 

beneficiamento seco do café

Mecanizando o beneficiamento seco

Seja para pequenas, médias ou grandes propriedades, associações, cooperativas e armazéns, mecanizar total ou parcialmente certas fases do pós-colheita pode trazer imensos benefícios. 

Precisão, agilidade, consistência de qualidade e padrão dos diferentes lotes são alguns deles. Com isso, entram em jogo também economia e eficiência, garantindo um rendimento melhor para a safra.

Portanto é importante se certificar qual é o perfil de produção do cafezal, o que previne a aquisição de aparelhos inadequados, assim evitando perdas e gastos extras para pequenas propriedades.

Como selecionar a opção adequada com foco na produtividade das etapas do pós-colheita? 

Luiz Marangom Bilac é produtor e proprietário da Fazenda São Luiz. Ele diz que o resultado da limpeza por meio de máquinas de descascamento define o fluxo bem-sucedido do beneficiamento. 

Luiz é um produtor de pequeno porte, e conta com uma máquina multifunções para realizar os processos de separação de pedra, descasque, limpeza e separação dos grãos secos pelo método natural. 

O aparelho que adquiriu, chamado Compacta, da marca Pinhalense, tem capacidade de tratamento de 7 a 10 sacas de 60 kg por hora, ideal para arcar com o fluxo de demanda de benefício seco em cafezais de pequena e média produção, de 1.000 sacas por ano, com propriedades de 15 a 20 hectares.

Marcos Cipoli Vegas é engenheiro industrial mecânico, responsável técnico e especialista em montagem de maquinários da Pinhalense, com 27 anos de experiência. Ele explica que “equipamentos que unem funções de benefício seco elevam consideravelmente a eficiência do tratamento e diminuem custos de energia e tempo de produção”. 

Outro ponto que deve ser considerado é em relação à montagem do equipamento. É preciso contar com um suporte para entender a necessidade de cada propriedade. Por vezes, são necessários vários elevadores e outros aspectos que demandam custo maior, tempo e complexidade de instalação. 

No caso do maquinário adquirido por Luiz, foi fácil. Só foram necessárias as instalações de elevador, transportador, rosca ou moega de alimentação manual para o início da operação. 

Muito importante também é avaliar a capacidade do equipamento de exercer bem todas as funções às quais se propõe. Investir em aparelhos multifuncionais, que exerçam ao mesmo tempo a aspiração do catador de pedra e a sucção da casca e de impurezas, equivalem a menos custos de recursos como eletricidade, menor espaço requerido, e menos operações de manuseio de uma máquina para a outra para que se cumpra cada função.

máquina compacta pinhalense

Critérios de eficiência no maquinário para beneficiamento seco

Um bom equipamento para limpeza e catação de pedras é eficaz em eliminar quase totalmente as impurezas, manter no máximo 15% de sujidades e catar pedras quase totalmente, cerca de 95%. A presença de pedras ocasiona perda de valor para o café. Nada pior do que uma amostra vir limpinha, e o lote chegar com pedras para o comprador. 

Além da quebra da confiança do comprador com aquele fornecedor, as pedras causarão transtornos em toda a jornada daquele café, incluindo torra e preparo, causando defeitos e perda de maquinários industriais e até moedores.   

Outro critério importante: maquinários que atendem a pequenos e médios produtores facilitam atividades extras, como o beneficiamento terceirizado do café de outros produtores. Muitos pequenos produtores compram café seco em coco para beneficiar e lucrar com o valor agregado ao lote.

“Ter esse equipamento multifuncional para mim é muito importante porque eu também compro café em coco para revender na minha região, e agora essa máquina de capacidade média atendeu minhas demandas”, diz Luiz. Para ele, as funções mais relevantes de máquinas de beneficiamento são a catação de pedra e o descascamento – “o restante são detalhes”.

A definição do critério “baixo consumo de energia” quando falamos de maquinários agrícolas deve corresponder ao gasto mínimo de energia para alcance da eficiência proposta do aparelho. No caso de Luiz, o critério principal que aponta a eficiência da Compacta se reflete na renda, diz ele. Segundo o produtor, a mecanização das operações de beneficiamento geraram um aumento de aproximadamente 20% na renda. 

armazém eficiente

Manutenção de maquinário de alta-performance

Outra etapa importante na rotina do pós-colheita é praticar a limpeza e a manutenção corretas dos equipamentos, o que amplia a vida útil do equipamento e evita contaminações nos novos lotes. 

Cafés da safra anterior podem conter resíduos, como fungos e microrganismos, e interferem na qualidade do café da nova safra.

Tomando os cuidados apropriados de limpeza e manutenção, com a atenção de usar a máquina sempre na capacidade indicada, a vida útil do maquinário multiplica o retorno do investimento consideravelmente. 

“Como a máquina possui uma versatilidade para processar todos os tipos de café, realizando o descasque no momento que o produtor necessita, o aparelho agrega mais valor ao produto final, o que tem sido considerado muito positivo para os produtores que adotaram a Compacta”, explica Marcos. 

café verde

A fase do pós-colheita focada na pré-limpeza é essencial para garantir o rendimento econômico bem-sucedido de cada colheita, e também influencia diretamente no nível de investimento a ser feito para a próxima.

O progresso de cada produtor-empreendedor depende também do trabalho feito fora das lavouras.

Conduzir as etapas de beneficiamento com cuidado e eficácia, e alcançar a qualidade esperada na classificação para garantir a valorização dos preços, inclui investir em maquinários apropriados para alavancar a produtividade e diminuir gastos e tempo. 

Com maquinário e cuidados adequados, os cafés poderão atingir o máximo de seu potencial, agregando qualidade e fazendo valer a pena toda a dedicação de muitas e muitas safras.   

Créditos: Rodrigo Flores (detalhe: mãos com frutos colhidos); Pinhalense; Buenatierra; Odissey Coffees; Caravela Coffees; Embrapa Café (destaque café robusta no terreiro suspenso).

Observação: A Pinhalense é um patrocinador do PDG Brasil. 

PDG Brasil

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Como você deve armazenar pequenas quantidades de café verde? https://perfectdailygrind.com/pt/2022/09/19/como-voce-deve-armazenar-pequenas-quantidades-de-cafe-verde/ Mon, 19 Sep 2022 03:19:44 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=10974 Ao comprar grandes quantidades de café verde, um dos maiores desafios é manter seus grãos longe de fatores externos, como umidade, temperatura, oxigênio e luz, para manter o frescor por mais tempo. No entanto, à medida que a torrefação doméstica vai se tornando realidade e com o surgimento de mais e mais microtorrefadores, começamos a […]

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Ao comprar grandes quantidades de café verde, um dos maiores desafios é manter seus grãos longe de fatores externos, como umidade, temperatura, oxigênio e luz, para manter o frescor por mais tempo.

No entanto, à medida que a torrefação doméstica vai se tornando realidade e com o surgimento de mais e mais microtorrefadores, começamos a ver uma maior necessidade de soluções ao armazenar quantidades menores de café verde. 

Para saber mais, conversamos com profissionais de café que entendem o armazenamento de grãos verdes. Eles nos disseram em que focar e por onde começar ao armazenar volumes menores de grão verde. Continue a ler para saber mais.

Você também pode gostar do nosso artigo sobre Por que produtores e produtoras devem saber provar café?

armazenamento

Por que é importante armazenar o café verde corretamente?

O café verde deve ser armazenado da maneira correta para manter seu frescor, portanto, sua qualidade. 

Embora possa manter sua qualidade por algumas semanas ou meses, o café verde ainda é um produto higroscópico. Isso significa que é particularmente sensível à umidade no ar. 

Como o café verde é intencionalmente seco até um nível de umidade alvo (cerca de 11% ou 12%) antes do envio, é importante certificar-se de que ele não absorva o excesso de umidade enquanto é armazenado. Isso pode fazer com que a qualidade se deteriore ou até leve ao desenvolvimento de bolor.

Além disso, por ser tão absorvente, o café verde armazenado indevidamente também pode assumir quaisquer odores ou sabores particularmente fortes que possam estar presentes nas proximidades.

Por fim, também é importante mantê-lo fora do calor e da luz solar direta, o que pode afetar a qualidade e o frescor do café verde.

café verde

Renaud Cuchet é o Diretor Geral da EFICO América Central, uma empresa de comércio de café verde que opera no setor de café desde 1926.

“Fizemos testes”, diz ele. “Como resultado, sabemos que os momentos críticos em que o café convencionalmente embalado (ou seja, em sacos de juta) é exposto à degradação da qualidade são o transporte terrestre, os atrasos nos portos (às vezes, os contêineres são deixados no cais sob o sol) e temperaturas e umidade extremas durante o transbordo).”

Como essas circunstâncias geralmente estão totalmente fora do controle de um trader ou torrador, garantir que você minimize o impacto delas é crucial.

No entanto, esses fatores não são apenas um problema durante o trânsito. Mesmo quando o café verde chega à torrefação, os compradores devem ter o cuidado de armazenar seus grãos adequadamente, em ambientes frescos, secos, de baixa umidade e fora da luz solar direta.

Hanuman Jain é o CEO e fundador da Ecotact, uma fabricante de embalagens que oferece uma variedade de soluções de embalagem hermética de 9 camadas para uma variedade de produtos agrícolas, incluindo café especial.

Ele explica que, por causa disso, há uma necessidade crescente no setor cafeeiro de “embalagens especializadas de alta barreira”.

café de qualidade

Armazenamento de volumes menores de café verde

Em todo o mundo, o café verde é comumente comercializado em sacos de 60 kg. Quando falamos sobre uma saca de café verde, há uma boa chance de que ele tenha 60 kg de tamanho.

No entanto, nos últimos anos, os importadores começaram a oferecer uma gama variável de tamanhos, como sacas e caixas de 10 kg, 25 kg e 30 kg, para apelar para o crescente mercado de torradores micro e domésticos. Esses também podem ser cafés que são ligeiramente mais raros ou de maior qualidade.

“Normalmente, esse aumento na qualidade implica em um preço mais alto”, explica Renaud. “Posteriormente, importadores e torrefadores querem proteger o valor de, digamos, microlotes, porque eles podem custar mais do que o dobro de um café convencional.”

Perder qualquer nuance durante o processo de transporte terá um grande efeito sobre como o café é avaliado e pontuado. Isso significa haver sempre o risco de perder quantias substanciais de dinheiro se o armazenamento não for adequado.

café

Além disso, enviar e receber amostras de café verde faz parte do processo de compra para comerciantes e torrefadores. A qualidade dessas amostras desempenha um papel vital em quaisquer decisões de compra. Como resultado, é importante que esse café seja mantido adequadamente.

A Sweet Maria’s é uma empresa especializada no fornecimento de torradores domésticos com café verde e uma gama de produtos relacionados. O coproprietário Thompson Owen me diz que eles aumentaram a qualidade de seu serviço, investindo em um melhor armazenamento de café verde para melhorar o controle de qualidade.

Ele diz que pode levar meses para avaliar uma amostra, e garantir que ela seja armazenada corretamente é fundamental.

“Armazenar nossas amostras de café verde de importadores em nosso laboratório de café tem sido importante”, diz ele. “As pessoas podem não saber, mas muitos importadores e serviços de amostra realmente enviam amostras de café verde em sacos de papel. 

“Isso é ótimo porque podemos colocá-los em nossa lixeira de papel; no entanto, muitas vezes precisamos armazenar nossas amostras por um longo período e consultá-las mais tarde.”

Mesmo que o café seja mantido na temperatura certa, manter o ar longe dos grãos verdes é uma das melhores maneiras de manter seu frescor.

“Mesmo em nosso clima [nos EUA], que consideramos bastante ideal para o armazenamento de café verde, uma amostra armazenada em papel mudará rapidamente”, explica Thompson. “Se precisarmos nos referir a uma amostra quando o café que compramos chega no Porto de Oakland vários meses depois, uma amostra de referência armazenada em papel é bastante inútil.”

“No início, percebemos que um dos aspectos mais importantes do comércio de café é o exercício de amostragem”, diz ele. “Isso cria muito valor; bilhões de dólares de comércio repousam sobre essas amostras. No entanto, vimos que muitas das embalagens usadas para as amostras estavam em desordem.”

“Como as pessoas estavam usando sacos de papel e outras alternativas comuns, as amostras ficavam danificadas em trânsito.”

armazém de café

Dicas para armazenar quantidades menores de café verde

Há uma série de práticas recomendadas a serem seguidas ao armazenar amostras ou pequenas quantidades de café verde. A seguir, conheça caminhos para deixar o café fresco por mais tempo e com um sabor delicioso após torrado, moído e preparado. 

Como armazenar pequenas quantidades de café verde: 

  • Armazene seu café em um lugar fresco, seco e escuro, longe da luz solar direta e do calor
  • Eleve seu café e mantenha-o fora do chão (armazenando-o em prateleiras, por exemplo)
  • Mantenha-o em um ambiente com cheiro neutro
  • Mantenha-o longe de quaisquer fontes de água ou umidade
  • Certifique-se de não armazená-lo perto de qualquer coisa com um odor forte (como produtos químicos ou produtos alimentícios pungentes).

No entanto, em combinação com essas dicas, a melhor coisa a fazer é simplesmente usar embalagens de maior qualidade de marcas como Ecotact. 

“Sem uma boa embalagem de barreira, os danos ao café verde podem ocorrer muito rapidamente”, explica Thompson. 

“Temos clientes em todos os EUA e em algum grau em todo o mundo”, acrescenta. “Se estamos enviando para um local super quente e árido ou um estado extremamente úmido nos EUA, sabemos que o café verde pode se degradar em algumas semanas sem o armazenamento adequado.”

Uma vez que um café chega com um torrador, Thompson recomenda que eles usem qualquer tipo de embalagem hermética. Para os torrefadores domésticos, ele diz que um frasco de vidro selável, como um frasco de pedreiro, é um bom lugar para começar.

No entanto, não há substituto para embalagens de café especialmente projetadas.

Navneet Jain é a Diretora de Exportações da Ecotact. Ele me diz que a empresa projetou sua gama Troiseal de sacos para torradores comerciais e domésticos, apoiando-as quando compram pequenos lotes de café verde.

Karishma Sharma é a Diretora de Marketing da empresa. Ela diz: “A bolsa Troiseal pode ser reutilizada três vezes, mas, ao mesmo tempo, é inviolável. Se alguém tentar quebrar o selo, você recebe uma notificação sobre o sistema de selo, que diz que o selo foi anulado. 

“As sacas também são feitas de embalagens herméticas de 9 camadas e alta barreira, que mantém a fazenda de café fresca”, acrescenta. “Isso também significa que, para os torrefadores domésticos, você não precisa torrar, digamos, 25 libras de uma vez; você pode fazer isso em vários lotes.”

café

Como o uso de melhores embalagens apoia os produtores?

Os produtores de café investem muito tempo e recursos para trazer à tona todo o potencial que suas fazendas têm a oferecer. Para representar plenamente a qualidade de seu café, uma solução sólida para o transporte e armazenamento de grãos verdes é importante.

Ashok Patre é o proprietário da Ratnagiri Estates, uma fazenda pioneira de café especial na Índia. Ele diz: “Muitos torrefadores e compradores nos últimos dois anos têm perguntado sobre embalagens a vácuo. Isso ocorre porque, quando vendemos um contêiner, ele geralmente é comprado por um importador, que o distribui para pequenos torrefadores individuais.

“No entanto, houve um atraso na entrega de cafés a eles, devido a todos os problemas de importação causados pela pandemia da Covid-19”, acrescenta Ashok. “Isso significa que o frescor se tornou um problema; os torrefadores estão realmente recebendo os cafés oito ou nove meses após a colheita.”

Como resultado, isso pode causar problemas de reputação para produtores com compradores e torrefadores. Mesmo que o café seja de alta qualidade quando sai da fazenda, atrasos prolongados no porto podem degradar o café e deixar uma primeira impressão ruim.

Ashok diz que o uso de embalagens de alta qualidade para café verde foi fundamental durante a pandemia.

“Tem havido muito feedback positivo”, diz ele. “Usar a embalagem Ecotact tem sido um grande passo para nós; nos ajudou a impulsionar e comercializar nossos cafés. Muitos torrefadores se apresentaram para comprar nossos cafés porque eles são pequenos e devidamente embalados.”

Ele continua a explicar que os sacos menores de café são mais populares com casa e microtorrefadores por uma série de razões. Embora o custo, a acessibilidade e a flexibilidade sejam importantes, o tamanho e a carga física de mover uma embalagem menor também a tornam popular.

“O feedback que recebi dos microtorrefadores que usaram essas embalagens menores foi positivo. São fáceis de manusear e não requerem muita força física para carregar um a um.”

Se micro ou torrefadores domésticos estiverem operando com apenas uma pessoa no turno de cada vez, levantar 60 kg ou mais pode ser perigoso ou até inviável.

Ashok acrescenta: “A maioria dos nossos clientes também só faz lotes de 15 kg, pois são pequenos torrefadores. Para eles, o tamanho da embalagem é ideal, e então eles não acabam abrindo uma embalagem e mantendo-a exposta por um longo tempo.”

café

Considerando como os segmentos de mercado de torradeiras domésticas e de micro torradeiras têm crescido nos últimos anos, encontrar soluções para armazenar quantidades menores de café verde tornou-se essencial.

Em última análise, a principal prioridade continua a ser o frescor. Ao garantir que você armazene seu café corretamente, você pode garantir que os grãos verdes de seus clientes permaneçam frescos – e garantir que eles continuem voltando para mais.

Créditos: Ecotact, Unsplash.

Observação: Ecotact é patrocinador do Perfect Daily Grind.

Tradução: Daniela Andrade. 

PDG Brasil 

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Congelar café verde dá certo? https://perfectdailygrind.com/pt/2022/01/03/congelar-cafe-verde-da-certo/ Mon, 03 Jan 2022 05:00:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=5815 Os grãos de café verde são sensíveis a uma série de fatores externos, como umidade e calor. Devem ser armazenados em galpão limpo, seco e bem ventilado, em sacos lacrados, e colocados em paletes que devem ser elevados acima do piso. Se armazenado em locais com alta temperatura e umidade, o café perde os sabores […]

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Os grãos de café verde são sensíveis a uma série de fatores externos, como umidade e calor. Devem ser armazenados em galpão limpo, seco e bem ventilado, em sacos lacrados, e colocados em paletes que devem ser elevados acima do piso.

Se armazenado em locais com alta temperatura e umidade, o café perde os sabores rapidamente e até mesmo adquire um sabor indesejável.

Mas e o café verde?

Embora a prática de congelar grãos de café torrados esteja se tornando cada vez mais popular, armazenar café verde em temperaturas abaixo de zero ainda é um conceito razoavelmente novo. Para explorar mais a prática, conversamos com dois profissionais do café baseados no Quênia.

Você também pode gostar de nosso artigo sobre O que é o frescor do café?

café verde

Hidratação e umidade

O café verde é higroscópico. Isso significa que ele absorve umidade facilmente, até mesmo da atmosfera.

Consequentemente, mantê-lo seco e fresco é importante. Quaisquer odores fortes (especialmente aqueles contidos em líquidos) impregnarão o café verde e o aromatizarão artificialmente. Por isso, é necessário armazenar o grão verde em áreas limpas e livres de contaminantes.

Além de serem secos e frios, os depósitos de café verde e outras instalações de armazenamento também devem ter um bom fluxo de ar e estar livres de poeira. As condições ideais de armazenamento são essenciais, pois o café verde não é um produto estável a longo prazo e perderá seu sabor em pelo menos 2 anos.

Mas que tal armazenar café em temperaturas abaixo de zero?

Apesar dos métodos de armazenamento mais tradicionais, o congelamento do café verde é uma das formas mais recentes que as pessoas usam para preservar o frescor.

O Dr. Christopher Hendon é professor assistente do Departamento de Química e Bioquímica da Universidade de Oregon. Ele conduziu uma extensa pesquisa sobre o impacto da temperatura na qualidade e extração do café.

“Para cada 10ºC que você resfria algo, a maioria dos processos que ocorrem no grão ocorre pela metade”, explica ele neste artigo. “Portanto, o resfriamento do café deve evitar reações químicas que ocorrem ao longo do tempo (como envelhecimento), fazendo com que ocorram de forma extremamente lenta.”

E quanto à qualidade da xícara? Que tipo de impacto o congelamento do café verde tem no produto final?

Em uma pesquisa conduzida na Universidade Dedan Kimathi, no Quênia, sobre o congelamento de café verde, foi descoberto que a qualidade da xícara de café congelado obteve notas mais altas do que o café armazenado em temperatura ambiente.

Nancy Warui é Q-Grader licenciada e esteve presente no painel de degustação dessas amostras verdes congeladas.

“É tudo uma questão de ciência”, explica ela. “Com temperaturas tão baixas, as atividades dentro do grão diminuem muito, o que retém o frescor dos grãos.”

Após a moagem, o café verde que ela preparava era armazenado em sacos perfurados (de estrutura semelhante aos sacos de juta) e imediatamente colocado no freezer. O freezer estava livre de odores e outros contaminantes que pudessem comprometer a qualidade dos grãos.

Os grãos ficaram em observação por 75 dias, onde todas as alterações foram monitoradas regularmente, incluindo atividade de água e teor de umidade.

Juliet Murugi também estava no painel conduzindo a avaliação sensorial e de degustação do café. Ela notou uma mudança significativa na atividade da água nos grãos verdes congelados.

“A principal observação foi como o café no freezer perdeu um pouco de umidade nas primeiras três semanas, depois das quais não houve mais perda de umidade”, ela me conta. “Após três semanas, o teor de umidade se achatou totalmente e continuou assim até o final do estudo.”

cupping

Efeitos na qualidade da xícara

Durante a pesquisa realizada pela Dedan Kimathi University, um painel de cinco degustadores avaliou as amostras de café verde congelado. Todos concordaram que o café tinha aroma, sabor e características corporais únicas.

“Imediatamente após remover as amostras do freezer, torramos até um nível médio, ideal para degustação”, diz Nancy. “Após a moagem, notamos a rica fragrância aromática do café congelado.”

Juliet acrescenta: “Superou minhas expectativas. Você nota imediatamente a sensação na boca mais pesada –  o corpo da xícara é excepcional”.

“A acidez era brilhante e o sabor doce, com um final de boca inesquecível.”

Nancy acrescenta: “Gostei da plenitude da xícara em comparação com o lote normal. Tinha um sabor mais agradável, acidez mais nítida e era mais equilibrado”.

O estudo com o qual contribuíram descobriu que, com o café verde congelado, a chave para manter o frescor – e, portanto, a intensidade do sabor – é manter o teor de umidade.

A redução da umidade nos freezers significava que os grãos não absorviam água da atmosfera. Embora os níveis de umidade tenham caído 2% em três semanas após o congelamento, eles permaneceram estáveis pelo resto do período de pesquisa – caindo apenas mais 0,5%.

Os resultados concluíram que a umidade contida no grão condensou e, portanto, não pôde escapar dos grãos. Toda a atividade microbiana que ocorre dentro dos grãos diminuiu em mais da metade da taxa normal devido à temperatura.

Isso significa que o frescor dos grãos foi preservado e, quando o grão foi finalmente torrado, a qualidade era alta.

Também é importante observar que foram usados no experimento vários tipos diferentes de café, indicando que todas as amostras de café verde se comportaram de maneira semelhante.

café verde cru

Os desafios ao congelar café verde

Apesar dessa vantagem de preservar o frescor, congelar o café verde não é tão simples quanto parece. O principal desafio é congelar grão verde com segurança, sem comprometer a qualidade.

A umidade é o pior inimigo do café verde, e isso é algo que está definitivamente presente nos freezers, especialmente aqueles que não são bem mantidos e contêm gelo.

Armazenar grãos verdes em um freezer com gelo pode levar a uma deterioração significativa da qualidade quando o café descongela – especialmente com cafés de sabor mais complexo.

A atividade da água em grãos descongelados também pode ser menos previsível do que o café verde armazenado em temperatura ambiente. Isso pode afetar negativamente o processo de torrefação e levar a anomalias nos perfis de torrefação. Isso é algo que os torrefadores que compram qualquer tipo de café verde congelado devem considerar.

Se outros produtos também forem armazenados em freezers junto com o café verde, eles também podem influenciar negativamente a qualidade do café. Isso ocorre porque os grãos podem absorver quaisquer odores. Os torrefadores devem tomar cuidado extra ao armazenar café congelado e, de preferência, manter outros produtos em freezers ou compartimentos separados.

No entanto, isso acaba levando a um aumento de custos, que pode se tornar um risco se as vendas desses cafés congelados não forem proporcionais ao investimento da torrefadora. Pilotar um teste em pequena escala de marketing e venda de café verde congelado pode ajudar os torrefadores a descobrir se é uma opção viável.

torra do café

Melhores práticas para torradores de café

Esses experimentos sugerem que o café verde congelado pode manter a qualidade da xícara melhor do que o café verde armazenado em temperatura ambiente.

“Se os torradores tivessem pacotes de café verde previamente congelados com características únicas de xícara, eles voariam das prateleiras”, diz Juliet. “Os consumidores notariam imediatamente o sabor super doce e suave.”

“Isso faz muito sentido, mas, é claro, eles teriam que fazer o piloto do projeto primeiro. No entanto, não tenho dúvidas de que haveria muito interesse nesse café.”

Também seria necessário cobrar preços premium pelos grãos verdes congelados, devido aos custos adicionais de compra de equipamento extra para congelar e monitorar o café.

No entanto, é provável que os consumidores paguem um prêmio pela raridade e exclusividade desse café em si – especialmente em mercados onde os clientes valorizam lotes exclusivos e técnicas de processamento incomuns.

Antes de ser torrado, o café verde deve ser armazenado em sacos herméticos e à prova d’água e descongelado imediatamente antes de ser torrado para garantir os melhores resultados.

Finalmente, tome alguns cuidados. Evite armazenar café verde junto com outros produtos alimentícios e certifique-se de que o freezer esteja limpo e sem gelo. Finalmente, certifique-se de que os níveis de umidade e temperatura sejam regulados. O armazenamento inadequado pode levar a grãos com defeito.

armazenamento de café verde

Para torrefadores que procuram se diferenciar e consumidores que desejam o café mais fresco que podem experimentar, pode haver uma oportunidade com grãos verdes congelados.

Quando congelado corretamente, o café verde pode permanecer fresco e vibrante por longos períodos. Isso garante que a qualidade da xícara seja mantida e é extremamente benéfico para torrefadores que procuram oferecer cafés premium, incomuns ou exclusivos.

Embora mais pesquisas sejam necessárias para entender completamente as reações químicas que ocorrem dentro do café verde quando congelado, congelá-lo pode ser uma aventura valiosa para aqueles que desejam maximizar o frescor.

Tradução: Daniela Andrade. 

Créditos das fotos: Peter Gakuo, Battlecreek Coffee Roasters.

PDG Brasil

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Como será o armazém de café do futuro? https://perfectdailygrind.com/pt/2021/09/14/como-sera-o-armazem-de-cafe-do-futuro/ Tue, 14 Sep 2021 03:30:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=4331 Sacas furadas, cafés deteriorando, aromas indesejáveis, dificuldade na movimentação ao estocar… são inúmeros os desafios para se realizar um bom armazenamento do café. Questões que preocupam há séculos quem comercializa café verde.   Mesmo no caso das big bags, criadas mais recentemente e com capacidade de até 1.500 kg (em vez dos 60 kg das sacas […]

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Sacas furadas, cafés deteriorando, aromas indesejáveis, dificuldade na movimentação ao estocar… são inúmeros os desafios para se realizar um bom armazenamento do café. Questões que preocupam há séculos quem comercializa café verde.  

Mesmo no caso das big bags, criadas mais recentemente e com capacidade de até 1.500 kg (em vez dos 60 kg das sacas tradicionais), há um desafio de transporte e empilhamento. Enfim, existem muitos motivos para se buscar novas soluções para armazéns de café, especialmente os que trabalham com grandes volumes.

Algumas opções já despontam no mercado, como a automação e a granelização, sinalizando alguns passos de como será o armazém de café do futuro.

O PDG Brasil conversou com três especialistas para aprofundar esse tema: Juarez Magalhães, da consultoria Múltipla Agro, Tales Silva Costa, da Cooxupé, e Carlos Henrique Palini, da Palinialves. Continue lendo para saber o que eles nos contaram.

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armazém de café do futuro

A importância do armazenamento de café bem-feito

O café é um produto que, mesmo após colhido e processado, continua vivo. Se mal armazenado, pode sofrer alterações causadas por trocas de umidade com o ambiente, infestação por insetos, além de outros fatores que podem favorecer a contaminação e a deterioração por fungos. Um dos principais objetivos do armazenamento é exatamente preservar as características originais do produto sem essas interferências até ele ser entregue ao cliente.

Tales Silva Costa é gerente de operações da Cooxupé, a maior cooperativa de café do mundo. A empresa conta com mais de 15 mil cooperados e, apenas em 2020, embarcou cerca de 6 milhões de sacas de café. Tales é o responsável pelo armazenamento e pela operação do café na empresa, com plantas no Sul de Minas, no Cerrado Mineiro e na Mogiana Paulista e postos de atendimento em mais de 30 cidades.

“Em todos os projetos que realizamos na Cooxupé, sempre somos muito rigorosos nas escolhas dos equipamentos que iremos comprar e dos parceiros para trabalhar. Pois o café é um tipo de grão que exige muitos cuidados em toda a cadeia produtiva, para que não perca qualidade durante os processos”, explica.

Consultor especializado no setor cafeeiro, Juarez Magalhães, da Múltipla Agro, foi o responsável pelo desenvolvimento de um projeto de modernização e expansão da Costa Café, empresa especializada em exportação e importação. Ele concorda com Tales. “O ponto mais importante do nosso trabalho é manter a qualidade do café comercializado desde a origem, na compra, até o consumidor final”, diz.

armazenamento de café

Entenda o sistema de granelização para armazenamento

Se o armazenamento é importante, quando falamos em um período de baixa produção, como 2021 e provavelmente 2022, a questão fica ainda mais crucial. É preciso preservar cada grãozinho de café colhido e processado.  

Carlos Palini é diretor comercial da Palinialves, empresa especializada na produção e no fornecimento de maquinários e soluções tecnológicas para fazendas e armazéns de café, há 40 anos. Seus clientes são cafeicultores e cafeicultoras de todos os portes, exportadores, cooperativas, associações. Ao visitá-los ao longo dos anos, Carlos percebeu de perto a dificuldade do estoque das sacas.

Perdas de café em volume e qualidade, dezenas de funcionários envolvidos, às vezes com estruturas precárias, falta de controle, falta de espaço, desorganização. “Isso sempre me preocupou. E fiquei pensando como poderíamos ajudar, criar algo que fizesse a diferença na vida desses clientes”, conta. “O caminho foi inovar com soluções tecnológicas e focar na granelização”, diz.  

A granelização é um sistema de armazenagem de café à granel, ou seja, em quantidade maior e sem embalagens (sacarias ou big bags). No modelo proposto pela Palinialves, é possível adaptar o modelo tanto para pequenos e médios produtores e para trabalhos com microlotes quanto para volumes abundantes, como os da Cooxupé, por exemplo. A empresa trabalha ainda com formatos customizados, com diversas possibilidades, incluindo até recebimento da carga e escoamento automatizados.

Dessa forma, é possível saber em qual tulha está qual variedade, há quanto tempo e em qual temperatura. É possível também programar a retirada do café, sem danificá-lo e sem ocorrer mistura acidental com outras cargas.    

“É uma dinâmica totalmente nova, que traz muitos benefícios: mais segurança, mais agilidade e flexibilidade nas operações, melhor controle e maior capacidade de armazenagem”, explica Carlos. “Além disso, há um aproveitamento mais assertivo do espaço do armazém. E, com todos esses aspectos, há redução considerável no custo operacional e nos custos de mão-de-obra.”

armazém de café

Não adianta inteligência artificial sem inteligência natural

Quando se fala em automação e o uso da tal inteligência artificial, não podemos esquecer da importância da inteligência humana e do uso da estratégia no projeto.

A instalação da granelização em fazendas, armazéns e cooperativas precisa estar adequada às necessidades reais de cada uma dessas empresas e instituições. Por isso, projetos customizados costumam apresentar melhores resultados.

Carlos, da Palinialves, ressalta que “é importante se adaptar às demandas dos clientes. Antes de iniciar o projeto, é preciso avaliar e dimensionar a capacidade de processamento e armazenamento, planejar a instalação e analisar todos os detalhes, dos materiais escolhidos à ocupação do espaço.”

Em alguns casos, são necessários testes e verificações de cada um dos processos de automação, avaliando a performance e a precisão. Foi o que aconteceu no Complexo Industrial Japy, da Cooxupé, em Guaxupé (MG). Em 2019, o armazém passou por uma ampliação e recebeu uma nova estrutura de granelização. Em uma área de mais de 3.300 m2, foram instalados 180 silos, com capacidade total para armazenar 270.000 sacas.  

Por conta do porte da instalação, foi realizada uma série de testes antes de partir para a finalização e instalação do projeto. “Precisávamos reduzir custos e aumentar a nossa capacidade de estoque de café preparado no Complexo Japy”, conta Tales.   

“O processo de instalação realmente foi bastante desafiador, principalmente na parte de automação, devido à precisão necessária na operação do equipamento. O tripper [esteira transportadora] era um equipamento novo, que ainda não tínhamos trabalhado em nenhuma unidade da Cooxupé. Mas fizemos testes para garantir a eficiência. E, após o início da operação, tivemos certeza de que havíamos feito a melhor escolha.”

automação no armazém

Como a tecnologia pode trazer eficiência e economia ao armazém?

Quando falamos de qualquer operação industrial, caso de todo o pós-colheita do café, tempo é dinheiro, e espaço é dinheiro também. Quanto mais ágil for a logística de armazenamento, mais volume de café será escoado e transportado. Quanto mais espaço for otimizado, maior a economia.

Avaliando essa realidade, fica fácil entender por que a granelização contribui para aumentar a eficiência e gerar economia para os armazéns. Juarez Magalhães, que coordenou o projeto da Costa Café, percebeu isso na prática. “Já tínhamos uma experiência de granelização com a Palini e verificamos a economia gerada, por conta da operação com baixo custo de mão-de-obra, e também a grande agilidade”, conta.   

Juarez ressalta que o novo projeto foi bastante desafiador, por conta do volume movimentado. “Atualmente essa planta do Sul de Minas é a nossa maior unidade de recebimento de café à granel. No projeto, instalamos 336 silos, com capacidade total para armazenar 392.000 sacas, e todo o sistema de abastecimento e descarga foi mecanizado e automatizado.” Mesmo com esse porte, o modelo mostrou-se eficiente.

Na Cooxupé, a percepção é a mesma. “A granelização trouxe uma redução de custos imensa para a nossa operação, sempre preservando a qualidade do café. Outra grande conquista foi o aumento na produtividade, sem aumentar o custo, graças à possibilidade de movimentar grandes volumes de café com menos trabalhadores, utilizando a automação como ferramenta de apoio. Tudo isso reflete no aumento dos lucros”, conta Tales. “Para nós, a granelização foi fundamental, pois a cada dia a demanda por aumento de capacidade de armazenagem e operacional crescem e desafiam as cooperativas.”

armazém de café do futuro

O armazém de café do futuro

Após conversar com os especialistas, identificamos alguns aspectos que já se mostram alinhados com as principais tendências em armazéns de todo o mundo. Veja a seguir o que definirá um armazém de café do futuro. 

O armazém de café do futuro oferecerá:

  • segurança total para preservar a qualidade do produto;
  • alto nível de rapidez e eficiência;
  • transformação digital e automatização dos processos, reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência logística;
  • inteligência artificial, conferindo aos sistemas capacidade para tomar decisões de forma inteligente e executar operações automatizadas, sem intervenção humana, combinando algoritmos, softwares e machine learning;
  • operação sem geração de resíduos;
  • ocupação otimizada do espaço.

A operação de armazéns de café é um ponto-chave para preservar a qualidade e a segurança do produto, já que o café é um alimento vivo.

Os armazéns, se bem pensados e com sistemas inteligentes e inovadores, como a granelização, oferecem eficiência e economia no estoque de vários portes e com diferentes necessidades.

No futuro, os armazéns terão de focar cada vez mais no uso de inteligência artificial, mas não poderão perder de vista a importância da estratégia e da experiência de profissionais especializados para a instalação, para a gestão dos maquinários e também para um atendimento de manutenção rápido e eficiente.

Créditos: Palinialves.

Observação: a Palinialves é patrocinadora do PDG Brasil.

PDG Brasil

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Cafezal digital: Como a digitalização pode melhorar a lucratividade nas fazendas de café? https://perfectdailygrind.com/pt/2021/06/17/cafezal-digital-como-a-digitalizacao-pode-melhorar-a-lucratividade-nas-fazendas-de-cafe/ Thu, 17 Jun 2021 11:42:25 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=3188 A digitalização está se tornando uma grande área de foco no setor cafeeiro. Para os produtores, significa acesso mais rápido às informações e registro de dados mais fácil, o que pode melhorar a rastreabilidade, a eficiência e a transparência. Uma das maneiras que mais vemos os produtores digitalizarem suas fazendas de café é por meio […]

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A digitalização está se tornando uma grande área de foco no setor cafeeiro. Para os produtores, significa acesso mais rápido às informações e registro de dados mais fácil, o que pode melhorar a rastreabilidade, a eficiência e a transparência.

Uma das maneiras que mais vemos os produtores digitalizarem suas fazendas de café é por meio de aplicativos móveis. Eles oferecem uma variedade de funções diferentes, desde o simples registro de dados até o suporte agronômico.

Para saber mais sobre como os aplicativos e a digitalização podem melhorar a lucratividade nas fazendas de café, conversamos com Jean Orlowski da Hala Tree Coffees e Michael Johnson da ECropOrigin. Continue a ler para saber o que disseram.

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digitalização na fazenda

A agricultura de café é um negócio

Antes de examinarmos como a tecnologia e a digitalização podem ajudar os agricultores, precisamos entender por que eles precisam disso.

Em primeiro lugar: uma fazenda de café é um negócio. E, como em qualquer outro negócio, eficiência e lucratividade andam de mãos dadas.

Jean diz: “Todos os que participam da cadeia de suprimentos são proprietários de empresas. E, quando você está no negócio, você precisa ter lucro”.

Quando uma fazenda se torna mais lucrativa, o produtor ganha mais dinheiro para sustentar a família, reinvestir na fazenda e impulsionar a economia local.

fazenda de café

Como a digitalização pode ajudar os agricultores a lucrarem mais?

Na fazenda Hala Tree, Jean cultiva café o Kona. Café Kona é o nome dado às plantas arábicas, cultivadas exclusivamente nas encostas dos vulcões, nos distritos de Kona do Norte e do Sul, no Havaí.

Vamos usar Kona como exemplo. Normalmente, a produção média é de 1 a 2 toneladas por acre. Se, de repente, você tem uma fazenda de 4 hectares produzindo apenas 2 toneladas, esse pode ser um sinal de alerta de que há um problema.

“Então, é aí que podemos começar a analisar os dados e começar a ajudar o agricultor a aumentar seu rendimento.” Ao aumentar sua produção, os agricultores têm mais café para vender – o que significa que a lucratividade aumenta.

Michael Johnson é o cofundador e COO da ECropOrigin. Ele diz que o TCCA permite aos produtores “consolidar tudo em um só lugar”.

“Talvez você queira obter certificações como a Rainforest Alliance, talvez precise preparar documentação para auditores e inspetores, talvez queira se tornar 100% orgânico… você pode lidar com toda essa papelada [por meio do aplicativo].” Essa tecnologia inteligente permite que o cliente sincronize seu escritório principal com seus moinhos e depósitos, em tempo real.

Quando todas essas informações estão centralizadas em um local simples e de fácil acesso, os produtores de café economizam mais tempo. Eles podem então se concentrar na agricultura e, como resultado, ganhar mais dinheiro.

digitalização na fazenda

Manter o controle dos dados

Jean conta que, quando um produtor configura o TCCA, ele insere certos dados que serão rastreados. Isso começa com informações básicas, como o tamanho e a localização da fazenda, mas com o tempo se expande para cobrir várias áreas diferentes. “Por exemplo, se você tem uma equipe grande, quer saber quanto tempo eles passam na fazenda”, diz ele.

“Também é importante rastrear os insumos que você traz para a fazenda. Isso permite que você ajude seu público, comunicando se é orgânico ou se é um “comerciante justo” (Fairtrade), mas também ajuda a lidar com as despesas.”

Com a TCCA, Jean diz que o estoque, o inventário e as vendas são rastreados e ajustados instantaneamente. “Por exemplo, você produz algo e seu estoque aumenta [no aplicativo].” Isso permite que os agricultores acompanhem as vendas, bem como seus lucros e perdas em tempo real.

Ao manter o controle de estoque, despesas, vendas e outras áreas-chave de produção, os produtores terão uma visão melhor e mais abrangente de como sua fazenda opera. Isso pode ajudá-los a identificar áreas onde a produtividade pode ser melhorada e, como resultado, aumentar a lucratividade.

colheita de café

Rastreabilidade e sustentabilidade

Rastreabilidade e sustentabilidade são duas palavras que estão se tornando cada vez mais associadas ao setor cafeeiro em geral. Como resultado, não existe apenas um mercado para o café rastreável e transparente, mas os consumidores de cafés especiais geralmente estão dispostos a pagar mais por ele.

No entanto, embora o registro manual de dados sobre um determinado lote possa ser possível, muitas vezes é demorado e não há garantia de que irá gerar uma venda direta ou a um preço mais alto para o produtor em questão.

Ao usar uma plataforma digital para registro de dados, os produtores podem automatizar esses processos e controlar tudo o que um comprador ou consumidor pode querer saber sobre um determinado grão.

Jean diz: “[Usando TCCA], sabemos quem colheu o café, quando foi colhido, que tipo de árvores usamos, que tipo de processamento usamos em nosso moinho úmido, por quanto tempo o lote foi fermentado, qual é o pH. São muitos dados que registramos corretamente em cada etapa desses processos”.

O mesmo se aplica à sustentabilidade. O café certificado como financeiramente e ambientalmente sustentável costuma ser mais atraente para os compradores, pois os consumidores geralmente estão dispostos a pagar um preço de mercado mais alto. Além de apoiar os produtores a registrar informações sobre como seu café é produzido, Jean explica que a ECropOrigin também oferece seu próprio programa de certificação.

“Você pode realmente produzir um café ‘certificado pela ECropOrigin’”, diz ele. “Isso significa que temos todos os dados subjacentes. Sabemos quando o café foi colhido, quando e como foi processado. Cada saca de café certificado pela ECropOrigin tem até um código QR que você pode ler.”

Os códigos QR foram popularizados em toda a indústria como uma forma de acessar imediatamente as informações sobre o produtor e a origem para aumentar a rastreabilidade e criar visibilidade. Ao usar um código QR, Jean afirma que as partes interessadas em toda a cadeia de abastecimento podem ter acesso aos dados relativos a um café específico.

fazenda de café

Mercados digitais de café

Então, você melhorou o rendimento de sua safra e maximizou a qualidade desta safra. Em seguida, você otimizou seus custos e sua fazenda está funcionando da maneira mais eficiente possível. Qual é o próximo passo? Como você aumenta a lucratividade a partir daí?

Bem, conseguir um preço melhor para o seu café é um começo. Uma das opções disponíveis para os produtores é vender sua safra em um mercado online.

Para isso, Jean explica que sua equipe desenvolveu um marketplace dentro do aplicativo TCCA. Ele diz que os produtores podem usar os dados de rastreabilidade registrados em outro lugar no aplicativo para mostrar seus cafés com informações completas para os compradores em potencial. Esses compradores podem comprar diretamente ou participar de leilões.

Michael acrescenta: “Acabamos de lançar o marketplace para permitir que os produtores comprem e vendam café”.

“Depois, há o aplicativo de torrefação e as informações de classificação de degustação, além de ter a funcionalidade de gerenciamento de contêineres de remessa. Portanto, se os compradores realmente adotarem a tecnologia que desenvolvemos, estamos confiantes de que poderemos realmente ajudar o agricultor e o produtor.”

pé de café fazenda

Como implementar novas tecnologias?

No entanto, implementar novas tecnologias em toda a fazenda costuma ser mais fácil de falar do que fazer. Michael me disse que é importante ter uma “abordagem personalizada”: uma que reconheça que diferentes tecnologias apoiam diferentes agricultores de maneiras diferentes.

“É quase uma consultoria”, diz ele. “No nosso caso, é como expandimos a comercialização do aplicativo. É um processo lento e não é bem uma fábrica de dinheiro, mas estamos ajudando muitos agricultores.”

Jean acrescenta que, mesmo que configurar uma plataforma seja fácil, os produtores podem nem sempre estar dispostos a fazê-lo. Para alguns, o custo de se conectar a um aplicativo ou tecnologia é perda de tempo, um tempo que poderia ser investido no gerenciamento direto da fazenda.

“O principal desafio é que haja alguma configuração”, explica ele. “Os aplicativos não funcionam sozinhos. Os produtores precisam descrever suas fazendas, eles precisam descrever o campo. Normalmente é aí que encontramos alguns desafios para superar.”

Jean observa que, embora eles tenham tentado tornar o uso do processo fácil e rápido, ele ainda pode ser uma barreira. No futuro, ele e Michael acreditam que a parceria com as cooperativas é a melhor maneira de implementar novas tecnologias em uma escala mais ampla.

fazenda de café

Seja por meio do rastreamento de inventário, registro de dados para melhor rastreabilidade ou melhoria do acesso ao mercado, a digitalização apresenta aos produtores de café uma gama de novas oportunidades para maximizar o lucro.

Embora seja mais fácil dizer do que fazer uma mudança em grande escala para melhorar os meios de subsistência dos produtores de café, a digitalização das fazendas é um bom primeiro passo. Usar um aplicativo para agilizar, centralizar e monitorar diferentes processos significa que o produtor pode passar mais tempo concentrando-se no cultivo do café. Isso, por sua vez, os ajudará a melhorar a lucratividade de sua fazenda.

Créditos das fotos: Julio Guevara, Gisselle Guerra, Diego Najera, Alejandra M. Hernández

Tradução: Daniela Andrade. 

PDG Brasil. 

Observação: a ECropOrigin é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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Contaminação no café verde: Tudo o que você precisa saber https://perfectdailygrind.com/pt/2021/04/13/contaminacao-no-cafe-verde-tudo-o-que-voce-precisa-saber/ Tue, 13 Apr 2021 07:54:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=2577 Ao armazenar ou transportar café verde, a contaminação é sempre um risco. Seja através do oxigênio, umidade ou de várias outras fontes, o armazenamento e a embalagem inadequados podem fazer com que o café verde seja contaminado. Isto, por sua vez, pode fazer com que  a qualidade diminua, ou até que eles se torne impróprio […]

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Ao armazenar ou transportar café verde, a contaminação é sempre um risco. Seja através do oxigênio, umidade ou de várias outras fontes, o armazenamento e a embalagem inadequados podem fazer com que o café verde seja contaminado. Isto, por sua vez, pode fazer com que  a qualidade diminua, ou até que eles se torne impróprio para beber.

Para saber mais sobre como o café verde é contaminado, como isso pode ser perigoso e como se proteger contra riscos de contaminação, falamos com Stephane Cuchet, co-proprietário da Soluagro, uma empresa que fornece soluções de embalagem para agroindústrias na Guatemala. Leia mais para saber o que disseram.

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O que é contaminação?

A contaminação pode ser definida como transmissão de impurezas ou de elementos nocivos capazes de prejudicar algo.

No entanto, em relação ao café, Stephane esclarece: “Quando falamos de contaminação, nos referimos a todos os fatores externos que podem influenciar negativamente o café. 

“Podendo ser mofo, umidade, odores externos ou aromas, e qualquer fator fora da embalagem que possa danificar o café de alguma forma”, diz ele. “Contaminação se refere a todos esses fatores … tudo o que pode ser prejudicial à qualidade do café quando ele está armazenado, em trânsito ou em qualquer outro lugar da cadeia de suprimento.”

Vejamos algumas formas de contaminação do café.

COMO É QUE O CAFÉ VERDE PODE SER CONTAMINADO?

Stephane diz que o café é “o que chamamos de um produto higroscópico”. Isto significa que é suscetível a umidade do ar e, com ele, quaisquer fatores contaminantes (tais como odores ou produtos químicos) que possam estar presentes.

Assim, se o seu café verde não for embalado adequadamente, pode ficar exposto a contaminantes externos. Se for, provavelmente absorverá odores, sabores e outros compostos indesejáveis, o que pode causar a diminuição da qualidade da xícara e, possivelmente, fazer com que os grãos fiquem impróprios para o consumo. 

Stephane diz que ao trabalhar com produtores na Guatemala, ele oferece sacos herméticos de 9 camadas da Ecotact como parte do catálogo da sua empresa.

“O café é como uma esponja”, acrescenta Stephane. “Se você colocar algo que cheira muito forte ao seu lado, ele pode absorver o cheiro… é isso que você precisa evitar.”

Falei com Stephane para saber mais sobre os diferentes contaminantes que podem afetar o sabor, a qualidade e a segurança do seu café verde. Aqui estão alguns.

Mofo

O mofo é um dos contaminantes mais comuns da maioria dos alimentos, e o café verde não é exceção. 

O mofo é causado por fungos como Aspergillus e Penicillium. Se forma naturalmente em alimentos armazenados incorretamente, muitas vezes em ambientes úmidos. Estudos realizados em café verde em países produtores de café no mundo todo mostram que essas duas espécies de fungos são contaminantes naturais bastante comuns.

Essencialmente, se o café verde não for embalado adequadamente e for exposto à umidade (seja do ar ou de outra forma), o mofo irá se desenvolver. Isto pode estragar a qualidade do café, ao mesmo tempo que o faz potencialmente nocivo para os seres humanos.

Quando o mofo cresce no café, ele apresenta um cheiro característico que pode ser facilmente confirmado examinando os grãos afetados.

Contaminação Animal

Stephane diz que a contaminação animal é outro grande problema quando se armazena o café verde. Embora exista sempre a possibilidade de animais maiores poderem danificar o café através de contato físico, Stephane diz que roedores são uma das principais preocupações.

“Depende do tipo de armazém”, afirma. “Mas existem ratos. Eu diria que os ratos são um dos piores tipos de contaminação.”

Ele diz que a urina do rato, principalmente, pode ser um problema se o café não for armazenado corretamente, pois seu odor indesejável pode ser absorvido pelo café verde.

Produtos Petrolíferos

Os produtos petrolíferos também são um risco significativo de contaminação do café verde, uma vez que qualquer absorção de óleos não comestíveis ou industriais pode ser extremamente perigosa para o consumidor. 

“Os depósitos são lugares com muitos fatores externos”, diz Stephane. “Você pode ter óleos provenientes da empilhadeira, diesel ou gasolina … e também tem a fumaça do veículo, [que é perigosa].”

Stephane diz que quando quaisquer óleos são armazenados perto de instalações ou armazéns de café verde, o vazamento é sempre um risco potencial. Isto pode ser extremamente perigoso se o café não estiver devidamente armazenado. Além disso, quaisquer aromas, gases ou fumaça resultantes de produtos petrolíferos também podem ser absorvidos.

Contaminação Química

Como os óleos, outros produtos químicos, que podem entrar em contato com as áreas onde o café verde é armazenado, representam um risco.

Stephane diz: “As pessoas [por vezes] armazenam pesticidas e insumos agrícolas [perto do café], e embora estas coisas não devam necessariamente estar em contato direto com o café, são armazenados um perto do outro.

“É necessário que haja algum tipo de barreira para evitar [a contaminação neste caso].”

Fertilizantes e outros insumos agrícolas podem ser incrivelmente perigosos se contaminarem o café verde, que ainda será torrado e preparado.

Entretanto, além disso, há outro risco químico a considerar ao armazenar café verde: contaminação por hidrocarbonetos.

De acordo com um relatório da FAO, feito por Bart Slob, a contaminação por hidrocarbonetos “é geralmente causada por sacos de café de juta”.

O relatório diz: “Isto é devido ao ‘óleo de juta’ utilizado para amolecer as fibras de juta antes da fiação. Houve casos de óleo contaminado sendo usado (óleo de motor antigo, por exemplo).”

Stephane acrescenta: “Nem todas as fibras naturais [em sacos de juta] são de qualidade alimentar, o que acontece quando os materiais são adequados para o contato prolongado com café, grãos ou qualquer outro produto alimentar. 

“Alguns materiais e fibras do saco não são próprios para ingestão, devido ao tipo de óleo usado para tratá-los, muitos dos quais não são comestíveis.” No entanto, ele observa que os sacos herméticos de 9 camadas da EcoAct são 100% isentos de hidrocarbonetos.

QUALIDADE DO OXIGÊNIO E DA XÍCARA

Tecnicamente, o oxigênio pode ser considerado um contaminante para o café verde. Estudos demonstraram que a exposição ao oxigênio provoca oxidação, o que pode afetar o sabor do café, e também diminuir a qualidade da xícara.

Um estudo afirma: “Quando o café verde é armazenado por um período prolongado, a qualidade do café diminui nitidamente. Além dos sabores já bem conhecidos que surgem de oxidações indesejadas de lipídios, é detectável um “nivelamento” típico da qualidade da xícara. ‘

Stephane diz que quando o café está em contato direto com oxigênio, “ocorre um processo chamado oxidação … isto é o que faz com que o café tenha um sabor de ‘velho’.

COMO EVITAR A CONTAMINAÇÃO DO CAFÉ VERDE?

Uma vez que listamos muitos tipos diferentes de riscos de contaminação para o café verde, vejamos agora como evitá-los.

Inicialmente, seguir algumas práticas básicas é um ótimo começo, veja a seguir:

  • Certifique-se de que o seu armazém esteja sempre seco e limpo
  • Use paletes para armazenar e transportar o café
  • Evite armazenar fertilizantes, pesticidas ou outros produtos químicos ao lado do café verde
  • Monitore a incidência de pestes no armazém

No entanto, se você quiser evitar todos esses riscos de contaminação de uma só vez, Stephane tem uma dica-chave: use embalagens de boa qualidade. “É aqui que os sacos Ecotact desempenham um papel importante”, afirma. 

“Estes sacos têm uma barreira hermética de 9 camadas que protege contra quaisquer fatores externos que possam contaminar o café. É assim que garantem a integridade do grão no interior; não só manterá o seu frescor, como também o seu aroma, sabor e todos os outros atributos que melhoram as características do café.”

Outra vantagem dos sacos Ecotact, segundo Stephane, é que eles são “totalmente reutilizáveis … você pode esvaziar [os sacos] e reutilizá-los novamente”. Além disso, os sacos são totalmente recicláveis, segundo ele a Ecotact fornece uma série de soluções de embalagem que se concentram na redução do impacto ambiental da cadeia de suprimento.

“Com os sacos de polietileno de 9 camadas da Ecotact, você pode garantir a durabilidade do café por mais de um ano e [garantir que] o sabor dos grãos permaneça fresco”, diz Stephane.

“Realizamos testes de preparação de café com café que foi armazenado durante cerca de um ano e o sabor ainda não está amadeirado, nem tem sabor de safra passada.”

Os sacos isentos de hidrocarbonetos também proporcionam uma excelente transparência e são capazes de tolerar temperaturas entre -30 ° C e 90 ° C. Além disso, a embalagem de alto desempenho significa que os grãos não entram em contato com quaisquer contaminantes externos, incluindo água, óleos, produtos químicos ou oxigênio.

Como existem muitos fatores que podem contaminar o café verde e fazer com que ele perca a qualidade, é extremamente importante que os produtores tomem as precauções certas para protegê-lo durante o armazenamento ou transporte.

A contaminação também não significa apenas uma diminuição da qualidade. A exposição a qualquer agente externo indesejável pode representar um risco à qualidade do produto final.

No entanto, ao armazenar e proteger corretamente o seu café verde, é possível  minimizar as chances de isto ocorrer e garantir que a qualidade seja preservada não somente no armazém.

Traduzido por Daniela Andrade

Crédito das imagens: ASSYCaelen Cockrum, Soluagro, Ana Valencia, Ecotact

PDG Brasil

Nota: Ecotact é uma patrocinadora do Perfect Daily Grind

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Como a Embalagem Afeta a Qualidade do Café Verde ao Longo do Tempo https://perfectdailygrind.com/pt/2020/12/14/como-embalagem-afeta-qualidade-cafe-verde-ao-longo-do-tempo/ Mon, 14 Dec 2020 08:51:00 +0000 https://perfectdailygrind.com/pt/?p=2081 A degradação sensorial no café verde pode representar perdas financeiras significativas para produtores, comerciantes e torrefadores. No entanto, embora um certo grau de degradação ao longo do tempo possa ser inevitável, o material da embalagem do café verde pode ter um impacto significativo na vida útil e na qualidade dos grãos. Juta, alta barreira, vácuo: o […]

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A degradação sensorial no café verde pode representar perdas financeiras significativas para produtores, comerciantes e torrefadores. No entanto, embora um certo grau de degradação ao longo do tempo possa ser inevitável, o material da embalagem do café verde pode ter um impacto significativo na vida útil e na qualidade dos grãos.

Juta, alta barreira, vácuo: o que é realmente melhor? Quanto impacto o material realmente tem nos grãos? E como podemos medir isso? Vamos dar uma olhada.

Leia também Guia de Torra: Por Que o Grau de Umidade do Grão Verde é Importante?

embalagem cafe verde

Um saco de juta vazio e usado com manchas de umidade. Crédito: Ivan Petrich

REVISANDO MATERIAIS PARA EMBALAGEM DE CAFÉ VERDE

Alguns dos materiais mais comuns são juta, plástico permeável, plástico de alta barreira e vácuo. 

Juta

Uma tela feita de fibras naturais extraídas de plantas, juta ou estopa é o material mais tradicional usado na fabricação de sacas de café. É uma opção ecológica; a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação diz que é “100% biodegradável e reciclável e, portanto, ambientalmente amigável”. Também é durável e relativamente acessível, sendo o material de embalagem de café mais antigo até o momento.

No entanto, ele não fornece proteção contra umidade e oxigênio – dois elementos associados à pior qualidade do café e até defeitos como mofo. Os sacos são permeáveis.

Além disso, as sacas de juta tradicionalmente contém 60 quilos de café (ou, em alguns países, 70 quilos). Enquanto isso, sacas grandes de plástico e embalagens de contêineres podem armazenar de 1 a mais de 20 toneladas de grão verde. Dependendo do lote que está sendo armazenado ou enviado, os produtores podem optar por opções de armazenamento maiores e, portanto, mais eficientes.

Plástico 

Mais comumente feitas de polietileno ou polipropileno, as opções de armazenamento de plástico variam de sacas de 60 quilos a sacos grandes e embalagens de contêineres. O material é mais barato e mais resistente à umidade e gases do que a juta, mas ainda é permeável.

Você pode gostar de Como o Oxigênio Prejudica a Qualidade do Café – E O Que Fazer

grãos de café recem colhidos

Grãos de café verde armazenados em uma saca de café de material plástico em Cerro Verde, El Manilal, Nayarit, México. Crédito: Ana Valencia

Alta Barreira

O professor Flávio Meira Borém é engenheiro agrônomo especializado em produção de vegetais. Ele dedicou os últimos anos ao estudo do café. Ele diz que uma saca de alta barreira é “uma embalagem com diferentes composições e estruturas capazes de impedir as trocas de gás e água entre o interior e a atmosfera… É uma embalagem com alta impermeabilidade”.

Embora seja mais caro do que outros tipos de embalagem, uma saca de alta barreira é projetada para manter a qualidade do café ao longo do tempo, impedindo reações químicas com umidade e oxigênio. Você pode encontrar embalagens com alta barreira em vários tamanhos, incluindo revestimentos de contêineres. 

embalagem cafe verde

Sacos de alta barreira da Videplast em uso nas Fazendas Klem. Crédito: Nicholas Yamada

Vácuo

Quando o café é embalado a vácuo, ele também é armazenado em sacos plásticos impermeáveis. Então, além do isolamento hermético do café verde, é criada uma pressão negativa para remover todo o ar. 

É uma crença comum que a embalagem a vácuo de vários laminados é a maneira mais eficaz de preservar a qualidade do café verde. No entanto, com um custo consideravelmente maior, esse método geralmente é usado apenas para amostras ou micro e nano lotes de cafés especiais excepcionais. 

embalagem cafe verde

Amostras de café verde embaladas a vácuo. Crédito: Ivan Petrich

DEFININDO A DEGRADAÇÃO DO CAFÉ

A degradação do café é a alteração química que resulta em sabores e aromas reduzidos nos grãos, principalmente doçura e acidez. O cupping feito por um Q-grader profissional de acordo com os protocolos SCA continua sendo a maneira mais comum de medir a qualidade do café. No entanto, existem outras maneiras de rastrear a degradação. 

Algumas delas não se concentram nas qualidades sensoriais que você percebe ao tomar café, mas na composição química dos grãos e em como isso se relaciona com o perfil de suas xícaras. Embora esse seja um campo relativamente novo, esses estudos nos permitem entender melhor a degradação antes mesmo de se tornar evidente para a língua e o nariz humanos. A ressonância magnética nuclear (RMN) e a espectrometria Raman são dois métodos usados ​​para isso. 

Giselle Figueiredo Abreu é engenheira agrícola e autora de “Espectroscopia Raman: uma nova estratégia para monitorar a qualidade dos grãos de café verde durante o armazenamento”, que ela publicou como parte de seu trabalho de pós-graduação, supervisionado pelo Prof. Borém.

Abreu fez uma referência cruzada dos relatórios sensoriais de Q-graders com os resultados da espectroscopia Raman e usou isso para analisar o café verde armazenado em embalagens permeáveis ​​e impermeáveis ​​ao longo do tempo.

As amostras de café eram de cafés naturais e despolpados com mais de 84 pontos. Foram utilizados três tipos de contêineres de 30 quilos: embalagem de papel permeável sem barreira, embalagem de papel com um saco plástico impermeável de alta barreira dentro e embalagem a vácuo. Os cafés foram analisados ​​a cada três meses por 18 meses. 

big bags café

Um big bag de alta barreira desenvolvida para armazenar até 1.200 quilos. Crédito: Videplast

O IMPACTO DO MATERIAL DA SACA, 0–6 MESES

Segundo o professor Borém, nos primeiros seis meses, os Q-graders não foram capazes de identificar diferenças significativas nas pontuações de cupping para os naturais ou descascados, independentemente da escolha da embalagem. Ele diz: “Os provadores têm uma probabilidade muito pequena de detectar diferenças sensoriais no café especial nos primeiros 6 meses. A possibilidade é muito pequena, as diferenças são pequenas.” 

Mas ele enfatiza que a composição química era visível nos três meses e nos seis meses, quando usavam a espectrometria de RMN e Raman, para amostras armazenadas em sacos permeáveis. As amostras armazenadas em sacos impermeáveis, no entanto, não apresentaram evidências visíveis de alterações químicas.

“Conseguimos provar que a composição química do café começa a mudar desde o início, e essa alteração só será percebida pelos degustadores após seis meses de armazenamento”, explica ele. 

“Essa mudança é irreversível”, enfatiza.

Recomendações 

Embora as pontuações de cupping possam não mostrar uma diferença entre embalagens permeáveis, como sacos de juta, e embalagens impermeáveis ​​de alta barreira, é claro que os grãos já estão começando a se degradar. 

Leandro Martinoto é gerente de P&D da Videplast, fabricante de embalagens com foco em cafés especiais e finos. Ele me diz: “Recomendamos que, após o processamento, o café seja armazenado em estruturas de alta barreira e multi-laminadas. Podem serbig bags, sacas regulares ou liners.”

O professor Borém também recomenda que, para cafés especiais naturais e despolpados, “após o período de descanso… este café já deve ser protegido imediatamente com uma saca de alta barreira”.

Dentro do armazém, big bags e revestimentos de alta barreira ajudarão a economizar espaço e reduzir custos. Para lotes menores e para transporte, as sacas de alta barreira são preferíveis às sacas de juta.

embalagem cafe verde

Café verde dentro de uma saca de alta barreira Videplast. Crédito: Nicholas Yamada

O IMPACTO DO MATERIAL DA SACA DE CAFÉ, 6 A 18 MESES

Após seis meses, as pontuações de café armazenado em embalagens permeáveis ​​começaram a cair. O professor Borém diz: “A diferença sensorial já é impressionante.” 

Ele aponta para um café natural despolpado originalmente posicionado entre 85 e 86 pontos e armazenado em embalagens permeáveis. Aos nove meses, chegava a menos de 80 e era considerado café commodity. Após 18 meses, o café caiu para menos de 75. Em contraste, nas sacas impermeáveis, ele ainda estava obtendo 83-84 pontos um ano depois, antes de cair para 82 pontos após 18 meses.

Quanto aos diferentes tipos de embalagens impermeáveis ​​- alta barreira e embalagem a vácuo – o estudo encontrou apenas diferenças insignificantes. 

Diferentemente dos primeiros seis meses, o processamento teve um impacto significativo nesta fase. O professor Borém me diz: “Essas mudanças foram mais evidentes no café natural do que no natural despolpado”. 

Recomendações

Embora seja recomendável que o café especial seja armazenado em sacos impermeáveis ​​logo após o armazenamento (o mesmo se aplica aos cafés de xícaras finas), após seis meses, torna-se imperativo. Isto é particularmente verdadeiro para os cafés secos com alguma parte ou todo o fruto ainda grudado a eles. Os naturais são particularmente vulneráveis ​​à degradação.

Também vale lembrar que o estudo foi baseado em cafés em um ambiente estável. Os cafés que estão sendo transportados, especialmente os que estão no exterior, podem ser expostos a maiores graus de umidade. Eles estarão em maior risco de degradação sem a proteção dada por embalagens impermeáveis. Os revestimentos de contêineres também podem ajudar a mitigar esse risco.

Leia mais em Como Garantir a Qualidade Durante o Transporte e Armazenamento do Café Verde

grãos de café verde

Amostras de grão verde. Crédito: Battlecreek Coffee Roasters

Quando se trata de café especial, é essencial preservar a qualidade dos grãos pelo maior tempo possível. Fazer isso pode proteger o valor do café, bem como as relações comerciais formadas entre produtores, comerciantes e torrefações. Prestar atenção ao material da saca, especialmente para cafés naturais e despolpados, pode reduzir significativamente a degradação do grão ao longo do tempo.

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Foto principal: Café verde em sacos de juta. Crédito da foto do filme: Neil Soque

Traduzido por Ana Paula Rosas.

PDG Brasil

Nota: Este artigo foi originalmente patrocinado pela Videplast

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