7 de fevereiro de 2024

Como minimizar o impacto ambiental ao armazenar café verde?

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Há uma série de fatores a considerar ao armazenar o café verde. Compreensivelmente, preservar o frescor é um dos mais importantes, já que os grãos verdes são particularmente sensíveis a fatores externos – incluindo temperatura e umidade. Manter o frescor é essencial, mas minimizar o impacto ambiental na armazenagem também é crucial – especialmente à medida que a demanda por um café mais sustentável cresce.

Então, como os compradores e comerciantes de café verde podem gerir seu estoque adequadamente ao mesmo tempo em que se mantêm sustentáveis? Para descobrir, conversei com três profissionais de café que trabalham com a Fibtex, empresa que produz e distribui embalagens de café na Colômbia e no Peru. Continue lendo para descobrir o que eles disseram.

Você também pode gostar do nosso artigo sobre por quanto tempo o café verde permanece fresco.

Armazém de café -- impacto ambiental na armazenagem

ENTENDENDO O IMPACTO AMBIENTAL NA ARMAZENAGEM DE CAFÉ

A embalagem e o armazenamento adequado desempenham um papel fundamental na preservação do frescor do café verde. Quando o café verde é enviado, é geralmente embalado em sacos amarrados em pallets de madeira. Isso ajuda a criar um meio mais eficiente de transporte.

Juta e fibra têxtil

Sacos de juta e fibra têxtil (ou sacos) são as formas mais tradicionais de embalagem para o café verde. Esses materiais vegetais são totalmente biodegradáveis, tornando-os uma opção ecológica para embalagens de café verde.

María Patricia Berrío Romero é diretora de sustentabilidade da Fibtex, empresa que distribui embalagens herméticas de alta barreira da GrainPro na Colômbia e no Peru. A empresa também é representante comercial da Pinhalense e da Carmomaq e fabricante de suas próprias “big bags” SUMMA 100% recicláveis e reutilizáveis. Ela me diz que, embora a juta e a permanência sejam tecnicamente biodegradáveis, isso depende em grande parte de como o material é descartado.

“Se esses sacos forem para aterro sanitário, é difícil para eles biodegradarem corretamente”, explica. Isso ocorre porque as condições de aterro geralmente carecem de níveis ideais de luz solar e oxigênio, o que significa que pode ser difícil ou impossível descartar corretamente materiais biodegradáveis.

Além disso, como esses materiais são permeáveis, muitas vezes não são a melhor opção para o máximo de frescor. “Embora esses sacos sejam projetados para proteger o café, os grãos podem ficar rapidamente contaminados se eles forem armazenados de forma inadequada”, diz ela. “As fibras naturais aumentam o risco de contaminação por odores que podem afetar negativamente as características organolépticas do café.”

Sacos plásticos tradicionais

Para combater esses problemas, os exportadores geralmente incluem outra camada de material dentro de sacos de juta e fibra têxtil como precaução extra. Estes podem ser forros de transporte de plástico padrão ou sacos GrainPro, por exemplo. Os sacos GrainPro, em particular, são populares porque podem ser hermeticamente selados. Isso efetivamente cria uma barreira hermética que protege o café verde de fatores externos, como umidade e calor, além de evitar a oxidação.

Além disso, se esses sacos são usados em conjunto com sacos maiores em vez de sacos de juta ou fibra têxtil, eles mantêm mais café. Sacos de café padrão podem conter entre 60 kg e 70 kg de café, enquanto sacos de plástico grandes e forros podem caber em qualquer lugar entre 1  tonelada e 20 toneladas de grãos verdes.

No entanto, o aumento do uso de plástico significa que se produz mais resíduos de uso único a partir de embalagens de café verde. “Quando o café chega ao seu destino, geralmente há o descarte dos sacos GrainPro”, diz María Patricia. “Geralmente não há o reuso ou a reciclagem desses materiais, então são incinerados ou acabam em aterro sanitário, o que significa que levam anos para se decompor”, acrescenta.

Sergio Campuzano Diaz é o Gerente Geral da Fibtex. “Os plásticos são feitos de uma mistura de diferentes resinas, sendo difícil decompô-los e descartar os materiais corretamente – especialmente em locais onde existem modelos de economia circular menos estabelecidos”, diz.

Mão em uma porção de grãos verdes de café

REDUZINDO O IMPACTO AMBIENTAL NA ARMAZENAGEM

Agora, mais do que nunca, há uma demanda crescente por café produzido de forma sustentável. E cada vez mais torrefadores estão usando materiais recicláveis, biodegradáveis e compostáveis em suas embalagens de café de varejo, bem como usando copos mais recicláveis ou reutilizáveis de café para viagem. Além disso, práticas mais sustentáveis estão sendo implementadas em fazendas de café, ajudando a reduzir as emissões gerais de carbono na cadeia de suprimentos.

Como resultado, minimizar a pegada de cabono do armazenamento de café verde – enquanto ainda se concentra na preservação do frescor – está se tornando um tópico-chave. Em última análise, isso significa que os comerciantes e compradores de café verde estão se concentrando em encontrar opções de embalagens sustentáveis.

“A embalagem da Fibtex usa resinas 100% recicláveis em sua fabricação”, diz María Patricia. “Distribuímos embalagens de polietileno GrainPro, bem como nossa própria linha de polipropileno SUMMA reciclável e reutilizável, que inclui sacos grandes e embalagens de contêiner a granel. Trabalhamos em estreita colaboração com nossos aliados e outras partes interessadas para processar e reciclar o plástico.”

A questão do carbono

Além disso, María Patricia explica que a Fibtex pratica a compensação de carbono. Ela explica que isso faz parte da “abordagem holística e focada em soluções” da Fibtex, que está comprometida em preservar a qualidade e o meio ambiente. Para equilibrar suas emissões de carbono, a empresa também executa uma iniciativa de restauração regenerativa ecológica que planta árvores nativas na reserva natural de El Amparo, localizada na região das Planícies Orientais da Colômbia.

O uso de embalagens mais reutilizáveis e recicláveis tornou-se um pouco essencial como parte do impulso para que as empresas de café se tornem  neutras em carbono. María Patricia e Sergio me dizem que a Fibtex está em processo de atingir emissões “net zero” e receber a certificação B Corp. B Corps são empresas que se consideram que satisfazem elevados padrões de responsabilidade social e ambiental.

María Patricia também destaca que preservar a qualidade do café é vital do ponto de vista da sustentabilidade, pois os dois fatores estão interligados. Portanto, usar embalagens que promovam uma transformação mais sustentável é fundamental. “A embalagem da Fibtex garante as condições ideais para proteger o café de fatores externos, como umidade, temperatura e oxigênio, além de mitigar a presença de pragas e mofo”, diz.

Sacas de café ao fundo e embalagens plásticas GrainPro à frente -- impacto ambiental na armazanagem

É POSSÍVEL NEUTRALIZAR O USO DE PLÁSTICOS NA ARMAZENAGEM DE CAFÉ?

Os materiais de uso único tornaram-se um tema importante de debate em muitas indústrias, incluindo o setor do café. O afastamento dos plásticos descartáveis é ainda mais intenso por uma série de proibições iminentes sobre esses tipos de materiais, incluindo no Reino Unido e na Europa.

Sergio me fala sobre como a Fibtex utiliza uma abordagem de economia circular ao longo de seu processo de fabricação, ajudando a reduzir os níveis de resíduos plásticos produzidos.

“Nós adotamos um modelo de economia circular para reutilizar e reciclar os resíduos plásticos que produzimos”, diz ele. “Isso significa que usamos menos materiais ‘virgens’, bem como menos recursos naturais, durante a fabricação desses materiais. “Fazemos nossas soluções de embalagem em polietileno de baixa densidade (PEBD) e polipropileno (PP), ambos 100% recicláveis e reutilizáveis”, acrescenta Sérgio.

Por meio de seu próprio programa dedicado a Fibtex coleta resíduos plásticos de empresas na Colômbia e no Peru, que incluem sacos e fibras de PP e LDPE. Os resíduos de plástico são então reciclados em péletes, que podem ser usados de várias maneiras diferentes. No futuro, o objetivo é criar embalagens neutras em plástico a partir desses materiais.

Medindo a pegada de carbono

Carlos Felipe Torres Triana é o coordenador de projetos da Clima Soluciones, uma empresa colombiana que mede a pegada de carbono de empresas que buscam ser mais sustentáveis. Ele diz que a Fibtex trabalha com a Clima Soluciones para medir a pegada de cabono através do aplicativo CarbonBox. “O aplicativo pode mostrar às empresas como otimizar processos para melhorar seus rastros de carbono, bem como rastrear suas compensações voluntárias de carbono”, afirma.

A compensação e a inserção de carbono se tornaram, compreensivelmente, conceitos mais prevalentes na cadeia de fornecimento de café nos últimos anos. Essencialmente, as empresas podem investir em suas cadeias de suprimentos ou em outras para reduzir sua pegada de carbono – mesmo que seja em outro lugar do setor.

María Patricia explica haver uma série de outras maneiras pelas quais a Fibtex gerencia suas emissões de carbono. “Em um esforço para atingir o zero líquido, tomamos a decisão ativa de fazer parcerias onde pudermos com empresas neutras em carbono”, diz ela. “Trabalhamos com empresas que têm uma visão que se alinha com a nossa. Isso significa que, sempre que possível, se formos viajar, viajaremos de uma forma que minimize o impacto ambiental.”

Iniciativas ambientais

Uma das maneiras mais comuns de fazer isso é por meio de iniciativas ambientais. O trabalho da Fibtex na Reserva Natural El Amparo, na Colômbia, é um grande exemplo disso, mas María Patricia explica que esse projeto de restauração está inerentemente ligado ao plástico fornecido por outras empresas. 

“Se um de nossos aliados nos der resíduos plásticos, plantamos 40 árvores por tonelada”, explica. “Quando eles compram nossos sacos, plantamos 25 árvores por tonelada. Isso os ajuda a gerenciar suas emissões de carbono, bem como equilibrar as nossas em um esforço para atingir a neutralidade.” María Patricia conclui explicando que a Fibtex opera de acordo com três pilares principais: cultura sustentável, foco na economia dos plásticos e na eliminação responsável e um programa de restauração mais amplo.”

Grãos verdes de café sendo despejados num recipiente metálico

Não há dúvida de que a demanda por café sustentável continuará a crescer no futuro. Isso significa que é agora  mais importante do que nunca para as empresas de café criar uma estratégia para reduzir suas emissões.

No entanto, isso não significa que se deva sacrificar a qualidade, especialmente quando se trata de soluções de armazenamento de café verde. Ao optar por materiais de alta barreira mais sustentáveis, os comerciantes e produtores podem manter a frescura, enquanto mantêm o impacto ambiental ao mínimo.

Gostou? Em seguida, leia nosso artigo sobre como você deve armazenar pequenas quantidades de café verde.

Créditos das fotos: Fibtex

Tradução: Daniela Melfi. 

PDG Brasil

Observação: a Fibtex é patrocinadora do Perfect Daily Grind.

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