3 de abril de 2024

Guia do Produtor: Fundamentos da Exportação de Café

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Depois de um ano de trabalho árduo para garantir uma ótima colheita de café, processada com cuidado e que talvez receba prêmios por sua qualidade, é normal se perguntar: qual é o próximo passo? A exportação se mostra como uma oportunidade para vender seu café nos mercados certos e assim garantir os melhores preços.

Seja esta sua primeira vez exportando café ou se está pensando em explorar novos mercados, é importante entender o processo de exportação e calcular os custos com precisão. Com a ajuda de especialistas da Guatemala e do México, elaboramos este guia para ajudar você a entender os principais pontos ao começar a exportar seu café. Continue lendo para descobrir as dicas e orientações que eles compartilharam conosco.

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Conforme o mais recente relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, as exportações globais de café alcançaram 114,4 milhões de sacas entre 2019 e 2020. O Brasil liderou esse aumento, com um acréscimo de 3,5 milhões de sacas, enquanto Honduras registrou a maior diminuição, com 600 mil sacas a menos.

Embora esses números possam parecer desafiadores para pequenos produtores, é possível ingressar no mercado de exportação. O primeiro passo é registrar-se junto às entidades reguladoras do comércio de café em seu país para formalizar a comercialização, conforme aconselha Sergio Mazariegos, Coordenador do Comitê de Cafés Diferenciados na Associação de Exportadores da Guatemala (AGEXPORT).

Sergio destaca ainda a importância de participar ativamente em sua comunidade e unir-se a outros cafeicultores. “Se uma pessoa não tem recursos ou volume de café suficientes, é importante se juntar a uma cooperativa, uma associação ou organização que permita a comercialização conjunta.”.

Uma vez que você tenha o apoio de uma organização ou parceiro, é fundamental definir seus objetivos, ou seja, onde você deseja chegar com seu café. Ernesto Pérez, Diretor Comercial do APG Grupo Cafetalero, no México, destaca a importância de identificar o tipo de cliente interessado em seu produto, seja um torrefador, um distribuidor ou uma importadora. Conhecer o perfil das empresas é essencial para o sucesso na exportação.

Se você tem os recursos necessários para financiar o processamento do seu café e sua colheita pode encher um contêiner com cerca de 35T, é possível realizar a exportação por conta própria. Para isso, você deve solicitar uma licença junto aos órgãos reguladores em seu país e seguir os procedimentos necessários. No entanto, é importante contar com os serviços de um despachante aduaneiro para facilitar os trâmites nos países de origem e destino, além de auxiliar na gestão eficiente do transporte.

Compreendendo o processo de exportação

Exportar café envolve três etapas fundamentais: comercialização, logística e financiamento. Como produtor, é vital dominar cada uma delas para planejar seu projeto e estrutura de custos eficazmente.

Na fase de comercialização, começa-se identificando um cliente ou mercado-alvo para seu café. É essencial compreender a qualidade do produto, analisar a demanda, avaliar o potencial nos mercados internacionais e estabelecer metas realistas.

Sérgio, com 18 anos de experiência capacitando produtores no curso virtual de Exportação de Café Diferenciado oferecido pela AGEXPORT, destaca a importância de os produtores terem acesso a informações de mercado, custos e estrutura. Ele enfatiza a necessidade de definir claramente o ponto de equilíbrio, o preço de venda e a margem desejada para garantir uma operação financeiramente viável e sustentável. Além de “estar satisfeito e poder cobrir meu sistema de produção, pagar adequadamente minha equipe e viver dignamente”.

As cooperativas, federações e associações em cada país geralmente oferecem programas de capacitação contínua para que os produtores de café se familiarizem com os termos de exportação. Sérgio também recomenda investir em sistemas de produção agrícola competitivos, expandir a área de cultivo com café especial e, se possível, obter certificações para o produto, a fim de agregar valor e rentabilizar os recursos investidos.

Em relação à produção, ele aconselha agregar valor ao produto por meio de processos de industrialização e gerenciar adequadamente as informações técnicas do café, conhecendo suas características e particularidades. Na área comercial, para garantir competitividade, o produtor deve dominar aspectos como os Incoterms, os termos dos contratos de compra e venda, as leis e regulamentos, além de explorar estratégias de comércio eletrônico e marketing digital específico para o café.

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Qualidade, confiança e transparência

Ernesto tem parcerias com cafeicultores da região de Coatepec, no México, exportando café para os Estados Unidos, Canadá e Coreia do Sul. Ele ressalta a importância de compreender os cronogramas de produção e comercialização. Isso porque entre a colheita, o envio de amostras e o embarque, existem períodos de repouso que variam conforme a região e fatores como umidade, densidade, altitude e variedade do café. E isso impacta sua qualidade e perfil sensorial ao longo do tempo.

“Contar com provadores certificados é crucial para identificar o momento em que o café está pronto, permitindo que os clientes recebam amostras verdadeiramente representativas”, afirma Ernesto.

Quando temos um cliente definido e um café de qualidade assegurada, Sergio recomenda documentar cuidadosamente cada pagamento e compreender todas as faturas e contratos. E eles podem variar segundo o tipo de contrato estabelecido com o comprador e se trata de uma importadora ou torrefador, sendo essencial especificar claramente no contrato quais custos são cobertos pelo produtor, exportador e comprador.

Para gerenciar os pagamentos eficientemente, é essencial contar com uma parte confiável, como uma cooperativa, associação ou exportador, responsável pela logística e contabilidade. Confiança e transparência são fundamentais no relacionamento entre produtor e exportador: “Não se trata apenas quem ganha mais ou menos. Esse é um dos dilemas a serem resolvidos”, alerta Sergio. Ele destaca ainda a importância de o cafeicultor conhecer seus custos para garantir um preço justo após deduções e pagamentos.

Nesse contexto, o papel do intermediário é vital ao deter as licenças de exportação, compreender a legislação e possuir as autorizações necessárias para garantir que o café chegue ao comprador em boas condições e conforme a amostra que ele aprovou.

Logística: o início da jornada do café

Para exportar café, é necessário lidar com permissões. Existem requisitos fitossanitários para garantir a qualidade do produto. Além disso, licenças de exportação são cruciais para obter o Certificado de Origem e gerar os códigos OIC, que identificam a origem do café e o exportador. Esses códigos seguem regulamentações internacionais da Organização Internacional do Café no Regulamento de Estatísticas dos Certificados de Origem.

Uma vez que as permissões estejam em ordem, o café está pronto para iniciar sua viagem. Ernesto destaca que, para o transporte terrestre, é vital conhecer bem as rotas e ter um seguro contra roubo. Eespecialmente em áreas com altos índices de criminalidade.

A via marítima é a mais comum para a exportação de café, mesmo que não seja a mais rápida. Portanto, é importante que o produtor compreenda quanto tempo o café ficará no porto, em trânsito e na alfândega. Ernesto ressalta que, “se os prazos não forem bem compreendidos, os custos alfandegários podem ser elevados. É fundamental conhecer a logística no país de destino ou contar com uma empresa que ofereça essas soluções”.

O exportador ou intermediário devem garantir proteção contra qualquer imprevisto ao café. Sergio destaca a importância de considerar o momento do pagamento e a cobertura de riscos. Toda mercadoria comercializada internacionalmente deve ser gerenciada com seguros. Ele enfatiza: “Até onde vai minha responsabilidade, até onde eu despacho e até onde cubro meus riscos”. Neste ponto, é importante falar sobre Incoterms, um assunto que o cafeicultor precisa entender ao fazer sua estrutura de custos.

Termos de remessa

Conhecer os Incoterms (Termos Internacionais de Comércio) é essencial para definir responsabilidades e riscos na exportação de produtos. Cada termo determina quando o café passa de uma parte para outra e quem é responsável pela carga durante o transporte.

A exportação de café FOB (Free on Board) é o Incoterm mais usado. O produtor ou exportador assume riscos e custos até o café ser carregado no navio. Sendo o comprador responsável nas etapas seguintes, pagando pelo transporte e seguro.

Ernesto destaca que exportar café sob o termo FOB “pode ser a melhor maneira de negociar o preço.” Continuando, ele explica que “as empresas importadoras geralmente têm acesso a melhores preços de transporte”. Independentemente do Incoterm, é crucial entender que implica em custos, fundamentais para calcular o preço final da carga.

Vale ressaltar que pode haver limitações quanto ao volume que um pequeno produtor pode negociar no exterior. Segundo Sergio, nos países da América Central não há restrições, permitindo total liberdade para exportar.

Saiba mais sobre Incoterms: Glossário de termos contratuais para o comprador de café

Quando você receberá o pagamento pela sua colheita?

Após entregar o café ao comprador final, seja importadora ou torrefador, os cafeicultores enfrentam um desafio: os prazos de pagamento. Essa etapa é crucial, influenciando na capacidade do produtor de continuar exportando.

Ernesto explica que o financiamento do estoque, do processamento à entrega, pode demandar de 6 a 12 meses. Oferecer café especial compensa a espera, já que o mercado internacional paga melhores preços.

Concordando, Sergio destaca que exportar parte da produção representa oportunidade de desenvolvimento. Gerenciar o fluxo de caixa é crucial, pois o pagamento pode demorar até agosto ou setembro. Sergio enfatiza a importância do financiamento para os produtores durante esse intervalo.

Exportar sua colheita de café não apenas pode ajudá-lo a conseguir melhores preços, mas também representa uma oportunidade para que seu café ganhe reconhecimento mundial e estabeleça novas parcerias. Entender seus custos e o processo de exportação é essencial para o sucesso.

Conforme mencionado por Ernesto, essa jornada é viável quando o pequeno produtor conta com o apoio de uma associação ou empresa confiável, capaz de lidar com volumes significativos e tornar a exportação mais eficiente, além de auxiliá-lo a enfrentar os desafios impostos pelo mercado internacional.

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Créditos das imagens: APG Grupo Cafetalero e Diana Fisgativa

PDG Brasil

Traduzido por: Ana Mercedes Fernández

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